O celular e o superendividamento das famílias brasileiras

Smartphone e instrumentos financeiros digitais potencializam vieses cognitivos e mudam comportamento financeiro das famílias. Celular tornou-se simultaneamente banco, crediário e cassino, tornando endividamento mais rápido e mais invisível.
1. Introdução
O endividamento das famílias brasileiras não é um problema novo. A combinação de juros estruturalmente elevados, renda volátil e mercado de crédito historicamente concentrado em modalidades caras como cartão rotativo, cheque especial e crédito pessoal não-consignado, produz, há anos, um padrão de comprometimento de renda elevado e ciclos recorrentes de inadimplência.
O que é novo, e ainda pouco explorado, é a natureza desse endividamento. Talvez o problema não resida apenas no tamanho da dívida, mas também na velocidade e invisibilidade com que é criada.
Durante décadas, contrair dívida era um ato que exigia esforço. Era preciso ir ao banco, preencher formulários, aguardar a análise de crédito e assinar um contrato. Esse processo tinha custo de tempo e custo psicológico e funcionava, ainda que de forma imperfeita, como uma barreira natural ao endividamento impulsivo.
As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva dos autores, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV.










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