Criação de empregos em abril frustra expectativas e atinge o pior nível desde 2020

Em abril de 2026, o saldo formal do Novo CAGED caiu para 85.888 vagas, queda de 63,9% ante abril de 2025 e 64,3% ante abril de 2024. É o pior desempenho no CAGED para o mês de abril desde 2020. Todos setores da pesquisa recuaram em relação a 2025.
Nesta edição, analisa-se o desempenho do mercado de trabalho formal no Brasil com base nos dados do Novo CAGED referentes ao mês de abril de 2026. O mês registrou a criação líquida de 85.888 postos de trabalho, resultado de 2.268.655 admissões e 2.182.767 desligamentos. Esse desempenho ficou expressivamente abaixo das expectativas do mercado, cuja mediana projetava 215 mil vagas segundo o Valor Data, estando muito aquém inclusive do chão das estimativas, que apontava para 167 mil vagas. O saldo é 63,9% inferior ao registrado em abril de 2025 (238.216 vagas) e 64,3% menor que o de abril de 2024 (240.310). Trata-se do pior valor para o mês de abril desde 2020, período severamente impactado pelo choque inicial da pandemia de Covid-19, quando o saldo foi de -981.342 vagas.
No acumulado dos primeiros quatro meses de 2026, o saldo totalizou 699.762 postos formais, provenientes de 9.477.709 admissões e 8.777.947 desligamentos. O resultado representa um recuo de 23,4% em relação ao acumulado de janeiro a abril de 2025 (913.827 vagas) e de 27,6% frente ao mesmo período de 2024 (967.012 vagas). Novamente, este é o pior volume acumulado para o quadrimestre desde 2020, ficando abaixo inclusive do acumulado no início de 2023 (719.574 vagas), que já havia sido um ano caracterizado por um mercado de trabalho fraco.


Fonte: Elaboração das autoras com base nos microdados do Novo CAGED. Dados com ajustes declarados até abril de 2026.
Sob a perspectiva setorial, conforme detalhado na Tabela 1, todos os setores apresentaram queda frente ao ano anterior. O setor de serviços manteve a liderança na geração de empregos formais em abril de 2026, porém apresentou uma queda expressiva no saldo, passando de 124.929 vagas em abril de 2025 para 69.601, o que representa uma retração de 44,3%. O comércio e a agropecuária, que haviam registrado saldos positivos no ano anterior, apresentaram forte reversão e encerraram o mês no campo negativo, com a perda de 8.114 e 8.378 postos de trabalho, o que configura quedas de 117,9% e 321,6%, respectivamente. A indústria e a construção civil também registraram retrações na comparação interanual, com o saldo industrial caindo 71,8% (para 9.256 vagas) e o da construção recuando 24,9% (para 23.525 vagas).
No acumulado do primeiro quadrimestre, o setor de serviços continuou respondendo pela maior fatia das vagas criadas, totalizando 451.996 postos, mas ainda assim marcou uma queda de 9,2% frente ao mesmo período de 2025. O comércio apresentou a maior retração proporcional acumulada (-170,6%), somando um saldo negativo de 26.614 vagas de janeiro a abril, enquanto a indústria e a agropecuária viram seus saldos encolherem 34,4% e 88,0%, respectivamente. O único setor a apresentar crescimento foi a construção civil, que contrariou a tendência geral e registrou uma alta de 8,1% no acumulado, gerando 143.547 novos postos. Este é o maior valor para o primeiro quadrimestre desde o início da série do Novo CAGED em 2020. Em suma, nota-se uma desaceleração generalizada nas contratações, impulsionada pelas perdas no comércio e na agropecuária, e atenuada apenas pela resiliência da construção civil.

Um termômetro importante da percepção dos trabalhadores sobre o mercado de trabalho são as demissões a pedido. Em geral, esse indicador é interpretado como uma proxy do grau de aquecimento do mercado, pois tende a refletir uma maior confiança na possibilidade de transição para ocupações mais atrativas. O Gráfico 2 apresenta a evolução mensal dessas saídas voluntárias entre janeiro de 2021 e abril de 2026, bem como a sua participação no total de desligamentos.
Após atingir o recorde da série histórica em março, com 875.796 registros, o mês de abril contabilizou 792.884 demissões a pedido. Embora represente um recuo frente ao mês anterior, o volume configura um recorde para meses de abril e supera em 5,3% o patamar observado em abril de 2025 (753.095). Na mesma base de comparação, a proporção dessas demissões em relação ao total de desligamentos apresentou leve avanço, passando de 36,1% para 36,3%. No acumulado do primeiro quadrimestre de 2026, o país contabilizou 3.276.495 demissões a pedido, um valor 2,6% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior (3.192.160). Esse avanço marginal na comparação anual indica uma estabilização da mobilidade voluntária dos trabalhadores, sugerindo a acomodação do indicador em patamares historicamente elevados em vez da formação de um novo ciclo de alta expressiva.
Gráfico 2 – Evolução das demissões a pedido e participação das demissões a pedido no total de demissões. Jan/21 a abr/26 - Brasil.

Fonte: Elaboração das autoras com os microdados do Novo CAGED. Dados com ajustes até abril/2026.
A participação feminina no saldo nacional aumentou de 48,8% para 58,0% entre os meses de abril de 2025 e 2026, conforme mostra o Gráfico 3. Esse avanço foi puxado principalmente pelo setor de Serviços, em que a parcela das mulheres subiu de 57,4% para 62,5%, e pela Indústria, onde houve reversão do perfil do saldo: de maioria masculina em 2025 (52,8%) para maioria feminina em 2026 (65,8%). A Construção civil também acompanhou esse movimento, com a parcela de mulheres no saldo de empregos avançando de 11,9% para 15,9%.
Por outro lado, o cenário foi bem diferente nos setores que encerraram o mês no campo negativo, onde a destruição de vagas afetou majoritariamente a população masculina. No Comércio, os homens concentraram 67,1% das perdas de postos de trabalho, uma mudança acentuada frente ao ano anterior, quando eles compunham 48,1% do saldo então positivo. Na Agropecuária, a assimetria nas demissões líquidas foi ainda mais drástica, com os trabalhadores homens respondendo por 90,1% do saldo negativo do setor. Em síntese, enquanto Serviços e Indústria impulsionaram a geração de vagas para as mulheres em abril de 2026, os setores de Comércio e Agropecuária penalizaram os homens de forma muito mais severa no volume de fechamento de postos formais.
Gráfico 3 – Composição do saldo de abril em 2025 e 2026 por setor e gênero – Brasil.
Fonte: Elaboração das autoras com os microdados do Novo CAGED. Dados com ajustes até abril/2026. O total inclui os não identificados.
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