Pequenos negócios apostam no digital para vender mais

A atuação das empresas no mercado é, principalmente, de forma presencial, mas o canal digital segue se consolidando como uma oportunidade de crescimento para os pequenos negócios e de aumento de competitividade para as empresas de maior porte.
Uma pesquisa inédita realizada pelo Sebrae, Fundação Getulio Vargas (FGV) e Google revela como os pequenos negócios brasileiros enxergam a transformação digital e quais são suas prioridades para os próximos meses. O estudo ouviu quase 5 mil empresas em todo o país, incluindo Microempreendedores Individuais (MEI), micro e pequenas empresas (MPE), além de médias e grandes empresas (MGE).
Os resultados mostram um predomínio do canal físico para todos os portes de empresas, apesar da presença digital já ser uma realidade consolidada. Entre os pequenos negócios, 43% atuam apenas em ponto físico, enquanto 39% combinam operações físicas e online. Destaca-se que 12% funcionam exclusivamente pelo online, percentual muito superior ao observado entre médias e grandes empresas, onde menos de 1% opera somente pela internet.
Gráfico 1 - Como o seu negócio opera atualmente?
Dados em percentual (%)

Fonte: FGV IBRE e Sebrae
Entre os setores dos pequenos negócios, Comércio e Serviços operam de forma bastante equilibrada entre físico e digital, com forte presença do modelo híbrido, enquanto Indústria se mantém mais forte em pontos físicos.
A pesquisa também aponta que cerca de um terço dos pequenos negócios pretende investir em tecnologia digital nos próximos seis meses, sinalizando uma oportunidade de estímulo, educação e redução de barreiras. Os demais 2/3 afirmam não terem a intenção ou não saberem. A intenção é mais elevada nas regiões Norte e Centro-Oeste, onde 41% afirmam que realizarão investimentos. Já para as empresas de porte médio e grande, cerca de 56% pretendem fazer esse tipo de investimento, indicando uma decisão mais clara em digitalização.
Quando questionados sobre as áreas prioritárias para esses investimentos, os pequenos negócios demonstram foco claro na geração de receitas. Marketing e Vendas aparecem como principal prioridade para 38% dos entrevistados, muito à frente das demais áreas e das médias e grandes empresas. Para essas, a prioridade são as operações internas (32%).
Gráfico 2 - Sua empresa pretende investir em digitalização nos próximos 6 meses? Dados em percentual (%)

Fonte: FGV IBRE e Sebrae
Entre os setores dos Pequenos Negócios (PN=MEI+MPE), o Comércio alcança 43%, e entre as regiões, Nordeste tem 42% dos PN que também apontam marketing e vendas como principal destino dos investimentos digitais. Entre os MEIs, a proporção que prioriza Marketing e Vendas sobe para 40%.
A pesquisa mostra ainda que os pequenos negócios enxergam a tecnologia principalmente como uma ferramenta para crescer. Ao avaliar uma possível solução digital integrada, “tudo em um”, 54% dos pequenos negócios afirmam que o resultado mais importante seria aumentar as vendas. O índice chega a 57% entre os MEI, 62% no Nordeste e 65% no Comércio. Melhorar a organização do negócio aparece em segundo lugar, citado por 33% dos entrevistados. Entre as médias e grandes empresas, verifica-se uma inversão de prioridades, com 46% das empresas afirmando que uma ferramenta digital “tudo em um” para reduzir custos operacionais seria a mais importante. Não muito atrás, as opções “melhorar a organização dos negócios”, “aumentar vendas” e “economizar tempo na gestão” também aparecem como relevantes para empresas de maior porte.
Gráfico 3 - Pensando em uma ferramenta digital “tudo em um”, quais RESULTADOS seriam mais importantes para sua empresa?
Dados em percentual (%)

Fonte: FGV IBRE e Sebrae
Estes resultados mostram que, aos olhos dos próprios entrevistados, o maior desafio para os pequenos negócios é conquistar clientes, ampliar vendas, enquanto para os empresários de médias e grandes empresas é o aumento da competitividade. Isso reflete a prioridade com a qual a digitalização é percebida a depender do porte das empresas, com os pequenos negócios enxergando o digital como uma alavanca direta de crescimento e geração de receitas. Já as empresas maiores possuem uma abordagem mais estruturada para eficiência operacional e competitiva. A intenção de investimento em digitalização nos próximos seis meses entre os pequenos negócios revela um cenário de abertura e inserção no mercado, com uma parcela relevante ainda em fase de avaliação, o que indica interesse ativo e espaço para evolução[1].
As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva dos autores, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV.
[1] Para maior detalhamento, veja em https://datasebrae.com.br/transformacao-digital










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