Evolução da produtividade do trabalho no Brasil entre 2010 e 2021 e o potencial impacto da redução da jornada de trabalho

O estudo revela que, para o agregado da economia, a redução da jornada de trabalho para 40 horas terá potencial de reduzir o valor adicionado em 2,9%. Já a produtividade por hora poderá se reduzir em 0,8%. Setorialmente, há grande heterogeneidade
1. Introdução
A evolução da produtividade do trabalho ocupa posição central no debate sobre crescimento econômico no Brasil. Em um contexto de desaceleração do crescimento potencial e transição demográfica, compreender os determinantes da produtividade agregada torna-se ainda mais importante para avaliar os limites e as possibilidades de crescimento sustentado da economia brasileira.
Nesse sentido, Barbosa Filho, Pessôa e Veloso (2010), Bonelli e Bacha (2013) e Barbosa Filho e Pessôa (2014) destacam a relevância da produtividade para a interpretação do desempenho recente da economia brasileira. Mais recentemente, Matos, Barbosa Filho e Peruchetti (2026) mostraram que o crescimento da produtividade do trabalho continua muito baixo. Os autores mostraram que após crescer 2,0% em 2023, a produtividade por pessoal ocupado cresceu 0,2% em 2024 e 0,6% em 2025. Já a produtividade por hora trabalhada cresceu 2,3% em 2023, 0,1% em 2024 e 0,4% em 2025.
Uma dimensão particularmente relevante desse debate diz respeito à heterogeneidade produtiva entre setores e entre diferentes formas de organização da produção. A literatura brasileira e internacional tem mostrado que o setor formal tende a apresentar níveis mais elevados de produtividade do que os segmentos não formais, seja em razão do maior uso de capital, da escala de produção, do acesso a mercados e financiamento, do ambiente regulatório ou da própria seleção de firmas mais produtivas para a formalidade. La Porta e Shleifer (2008, 2014), Perry et al. (2007) e Loayza e Servén (2010) são referências centrais nessa discussão. Análises mais detalhadas para o Brasil, podem ser encontradas em Barbosa Filho, Veloso e Ulyssêa (2014).
Os exercícios apresentados neste artigo se baseiam na metodologia proposta por Barbosa Filho e Veloso (2014), no qual os autores encontraram que, entre 2000 e 2009, a produtividade agregada cresceu 7,6%, com forte predominância do efeito composição. Em valores anuais médios, o ganho total foi de R$ 236, sendo R$ 30 provenientes do efeito nível e R$ 206 do efeito composição. Assim, o estudo concluiu que a realocação de trabalhadores para o setor formal respondeu pela maior parte do avanço da produtividade agregada no período.
O presente artigo retoma essa agenda, porém com foco no período 2010-2021, permitindo avaliar se a relação entre formalização e produtividade manteve, ao longo desse período, a mesma intensidade observada nos anos 2000. O artigo apresenta a decomposição da produtividade em duas etapas. Primeiro, os resultados são mostrados com a abertura tradicional em três grupos, setor formal, setor informal e outras unidades familiares. Em seguida, a análise é reapresentada distinguindo apenas o setor formal e do setor não formal. Nesta última definição, o setor não formal corresponde à junção entre o setor informal e o grupo de outras unidades familiares, procedimento que facilita a leitura econômica dos resultados sem alterar a lógica institucional da classificação original.
Por último, utilizamos os dados calculados na primeira parte do artigo para avaliar o impacto da redução da jornada de trabalho tanto no valor adicionado quanto na produtividade.
Além desta introdução o artigo conta com mais 3 seções. Na segunda seções apresentamos a base de dados, bem como as definições dos conceitos e a metodologia de cálculo. Na terceira seção apresentamos os principais resultados e por fim na quarta seção apresentamos as conclusões do artigo.
Acesse o artigo completo no Observatório da Produtividade Regis Bonelli










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