Debate sobre a elevada taxa real de juros no Brasil

O juro neutro no Brasil chega a 7,5%, bem acima dos 2,8% de 2018-2019, enquanto o dos Estados Unidos segue estável. Modelos que incluem a política fiscal mostram que os juros elevados têm origem interna, com peso do crescimento do gasto público.
Desde o Plano Real, um dos temas macroeconômicos mais debatidos no Brasil está relacionado à elevada taxa real de juros no Brasil. Ao longo dos anos, diversos economistas têm destacado que a estabilização brasileira continua incompleta.
De fato, segundo a literatura, alguns fatores de natureza estrutural que ocorreram no Brasil ao longo desses anos deveriam ter contribuído para a redução da taxa de juros de equilíbrio (neutra ou natural) da economia e, consequentemente, das taxas reais efetivas. Importante mencionar que a taxa de juros de equilíbrio pode ser definida como aquela consistente, no médio prazo, com inflação estável e com crescimento do produto igual ao crescimento potencial (Blinder, 1998). Como se trata de uma variável não observável e com elevado grau de incerteza na sua estimação, é de se esperar a obtenção de diferentes estimativas pontuais, em função da metodologia, ou seja, da estrutura dos modelos empregados e da amostra utilizada.
As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva dos autores, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV.










Deixar Comentário