Cenários

Desempenho do PIB da região Centro-Oeste no 2º trimestre de 2026

11 set 2026

PIB do CO cresceu 1,6% no 2º trimestre, ante 2º tri de 2025, abaixo da média nacional (2,0%). Distrito Federal liderou crescimento na região (2,9%), seguido por Mato Grosso do Sul (2,5%), enquanto em Mato Grosso e Goiás a variação foi de 0,5%.

O objetivo deste texto é apresentar como o PIB da região Centro-Oeste, e de suas quatro Unidades da Federação - UF (Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal), evoluiu no 2º trimestre de 2026 e o que se pode inferir para o resultado deste ano.  Buscou-se detalhar as contribuições dos três grandes setores de atividade econômica (agropecuária, indústria e serviços) para o desempenho do PIB da região e comparar os resultados locais com o divulgado nas Contas Nacionais Trimestrais do IBGE (CNT) para o Brasil em 1º de setembro.

Este trabalho faz parte da iniciativa experimental do Núcleo de Contas Nacionais do FGV IBRE (NCN), em curso desde o início de 2025, para ampliar a análise da atividade econômica sob o aspecto regional. As estimativas apresentadas foram elaboradas com base em dados conjunturais já disponíveis[1] e com avaliação de aderência aos dados do Sistema de Contas Regionais do IBGE (SCR), disponíveis até o ano de 2023.

O texto está estruturado da seguinte forma: (i) principais resultados; (ii) análise interanual do 2º trimestre de 2026; e; (iii) expectativa para 2026.

PRINCIPAIS RESULTADOS

  • Na análise interanual, o PIB da região Centro-Oeste cresceu 1,6% no 2º trimestre, abaixo do 2,0% divulgado pelo IBGE para o PIB nacional.
  • O maior crescimento estimado de PIB nas UF da região foi o do Distrito Federal (2,9%), explicado pelo crescimento disseminado do setor de serviços.
  • O estado de Mato Grosso do Sul também teve desempenho acima do nacional (2,5%), tendo sido favorecido, principalmente, pela produção de soja e o desempenho positivo da indústria do estado.
  • Já os estados de Mato Grosso e Goiás registraram taxas mais modestas (0,5% em ambas as UF), acarretando que o total do crescimento do PIB do Centro-Oeste (1,6%) fosse mais baixo que o do Brasil (2,0%). Embora essas UF tenham registrado os maiores crescimentos de valor adicionado industrial na região, as retrações na agropecuária, aliada a baixas taxas de crescimento no setor de serviços, explicam o menor crescimento destas UF no Centro-Oeste.
  • Estima-se que mais de 70% do crescimento da economia do Centro-Oeste foi devido ao setor de serviços. Cabe destacar que cerca de 75% do crescimento do valor adicionado dos serviços regional deveu-se ao Distrito Federal.
  • Apenas o Mato Grosso do Sul apresentou crescimento do PIB superior no 1º semestre de 2026 (4,2%) em relação a taxa média do biênio 2024-2025 (0,7%). Para as demais UF da região, no entanto, o desempenho da economia se mostrou mais modesto, o que se refletiu em taxas de crescimento no 1º semestre do ano, mais baixas do que as observadas no biênio 2024-2025, ou similar, que foi o caso do Distrito Federal. Por esta razão, há indícios de que 2026 será um ano de menores taxas de crescimento do PIB da região Centro-Oeste em comparação ao biênio 2024-2025.

ANÁLISE INTERANUAL – 2º TRIMESTRE DE 2026

O crescimento do PIB da região Centro-Oeste foi de 1,6% no 2º trimestre, em comparação ao mesmo período de 2025, abaixo dos 2,0% do PIB nacional. Apesar do valor adicionado da região ter crescido mais que o do país na indústria e no setor de serviços, a diferença na taxa de variação da agropecuária foi determinante para o menor crescimento da economia do Centro-Oeste no trimestre, em comparação a economia brasileira, como pode ser observado no Gráfico 1.

Fonte: Brasil – IBGE (CNT). Regional: Estimativas dos autores com base em dados conjunturais do IBGE, EPE, ANP, DataSUS e INEP. Elaboração própria.

A Tabela 1 mostra as taxas de variação interanuais do PIB e do valor adicionado das três grandes atividades econômicas para a região Centro-Oeste e suas unidades da federação no 2º trimestre. Observa-se que o PIB de todas as UF da região cresceu, apesar de ter havido quedas pontuais em alguns setores.

Tabela 1 – PIB e valor adicionado setorial – Taxa de variação interanual

2º trimestre de 2026 - %

Fonte: Estimativas dos autores com base em dados conjunturais do IBGE, EPE, ANP, DataSUS e INEP. Elaboração própria.

O maior crescimento do PIB foi o do Distrito Federal (2,9%). Apesar da queda estimada na indústria (-1,2%), que é explicada por retração no setor da construção, o crescimento disseminado no setor de serviços (3,0%), que representa cerca de 95% da economia desta UF, explica o seu bom desempenho no 2º trimestre.

O estado de Mato Grosso do Sul também teve desempenho acima do nacional (2,5%), tendo sido favorecido, principalmente, pela produção de soja. De acordo com o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola do IBGE (LSPA) referente a julho de 2026, estima-se que a produção de soja no estado cresça 19,7% em 2026. Além disso, a indústria do estado também contribuiu positivamente e de forma disseminada entre as atividades investigadas. Com isso, mesmo que o setor de serviços tenha ficado apenas estável no trimestre (0,1%), o PIB do estado cresceu.

Já os estados de Mato Grosso e Goiás registraram taxas mais modestas (0,5% em ambas as UF), que foram fundamentais para que o total do crescimento do PIB do Centro-Oeste (1,6%) fosse mais baixo que o do Brasil (2,0%). Embora tenham registrado os maiores crescimentos de valor adicionado industrial na região, as retrações na agropecuária, aliada a baixas taxas de crescimento no setor de serviços, explicam o menor crescimento destas UF no Centro-Oeste.

Em ambas as UF, o principal destaque no valor adicionado industrial deveu-se a indústria de transformação. No caso do Mato Grosso, principalmente explicado pelos bons desempenhos registrados nas atividades de fabricação de produtos alimentícios, de produtos de minerais não metálicos e de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis[2]. Já em Goiás, diversas atividades da transformação apresentaram crescimento, mas as principais contribuições positivas concentraram-se na fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis e na fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias.

Na agropecuária do Mato Grosso, a queda foi influenciada pela retração na produção de algodão herbáceo, que segundo a LSPA referente a julho de 2026, apresentou queda de 11,0% no estado. Já em Goiás, as retrações na produção de milho e soja foram os principais fatores para a retração do valor adicionado da agropecuária do estado. Segundo a LSPA referente a julho de 2026, a estimativa de redução da produção de milho e de soja em 2026 é de 27,6% e 2,8%, respectivamente.

O Gráfico 2, que apresenta a contribuição das atividades na taxa de variação trimestral interanual do total do valor adicionado no 2º trimestre de 2026, mostra que mais de 70% do crescimento da economia do Centro-Oeste foi devido ao setor de serviços. Cabe destacar que cerca de 75% do crescimento do valor adicionado dos serviços regional deveu-se ao Distrito Federal. Já em relação ao valor adicionado da indústria regional, pouco mais de 50% ocorreram graças ao bom desempenho do setor em Goiás. Na agropecuária, apesar da expressiva contribuição do setor para a economia do Mato Grosso do Sul, em termos regionais esse ganho foi atenuado principalmente pela contribuição negativa gerada pelo setor em Goiás.

Fonte: Estimativas dos autores com base em dados conjunturais do IBGE, EPE, ANP, DataSUS e INEP. Elaboração própria.

EXPECTATIVA PARA 2026

Para o Brasil a expectativa é que 2026 seja um ano de desaceleração da economia, com estimativa de crescimento do PIB em 1,9%[3]. Para a Região Centro-Oeste, o padrão deve ser similar, sendo a única exceção o Mato Grosso do Sul, que tem na agropecuária um forte motor para o crescimento econômico do ano. Um El Niño severo pode ter impactos prejudiciais na agropecuária no 2º semestre. No entanto, como o Mato Grosso do Sul apresentou crescimento do setor bastante influenciado pela produção de soja e, grande parte dessa cultura é colhida no 1º semestre, grande parte do bom desempenho agropecuário do estado já foi efetivamente realizado.

Para as demais UF, entretanto, existem os desafios relacionados ao elevado patamar da taxa de juros, ao alto grau de endividamento das famílias e, ao risco de pressão inflacionária pelo aumento do preço do barril do petróleo neste ano, além da expectativa de aumento no preço dos alimentos devido aos potenciais prejuízos que podem ser gerados pelo El Niño, o que acarreta risco de pressão inflacionária, o que pode reduzir o ritmo de corte dos juros em curso pelo Banco Central. Além disso, há toda a incerteza característica de um ano eleitoral. Todos esses são elementos que tendem a deixar os agentes econômicos mais cautelosos na tomada de decisão e comprometem, principalmente, investimentos em atividades ligadas a indústria e parte dos serviços.

Por esta razão, há indícios de que 2026 será um ano de menores taxas de crescimento do PIB na região Centro-Oeste em comparação ao biênio 2024-2025. Nestes anos, a taxa média estimada de crescimento para o PIB regional foi de 3,1%, significativamente superior ao 1,9% apresentado no 1º semestre de 2026, em comparação ao mesmo período de 2025, conforme apresentado no Gráfico 3.

Fonte: Estimativas dos autores com base em dados conjunturais do IBGE, EPE, ANP, DataSUS e INEP. Elaboração própria.


As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva dos autores, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV. 

 

 

 

[1] Baseada em adaptações na metodologia das CNT. Para isto foram utilizadas diversas fontes de dados, sendo a maioria do IBGE, como a LSPA, a PIM-PF, a PMC, a PMS, a PNAD Contínua, entre outras.

[2] Estimativa baseadas em dados da Pesquisa da Indústria Mensal Regional do IBGE (PIM-RG) e a Pesquisa Industrial Anual do IBGE (PIA).

[3] Segundo mediana das projeções do Boletim Focus do Banco Central em 28 de agosto.

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