Economia do Nordeste: análise estrutural e estimativas para o crescimento do PIB até o 2º trimestre de 2026

PIB do NE cresceu 2,2% no 2º trimestre de 2026, acima dos 2,0% do país, puxado por agropecuária e serviços. Piauí e Alagoas lideraram, com 4,1%. Desde 2002, Piauí (com soja) e Maranhão se destacam e ajudam a desconcentrar a economia da região.
Neste texto, analisa-se o desempenho da atividade econômica da região Nordeste e de suas nove unidades da federação – UF (Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia). O objetivo é pontuar algumas características econômicas estruturais, no período entre 2002 e 2023, indicando as principais alterações que ocorreram, com base nos dados anuais do Sistema de Contas Regionais do IBGE (SCR) e analisar a estimativa da evolução real do PIB da região e de suas UF para 2024, 2025, o 1º semestre de 2026 e, mais especificamente, o resultado do 2º trimestre de 2026.
Como, a partir de 2024, os dados do SCR ainda não estão disponíveis[1], as estimativas a partir desse período foram elaboradas com base em estatísticas conjunturais já divulgadas. A despeito da limitação desse esforço, acerca da precisão em relação aos dados anuais oficiais do SCR, a serem divulgados futuramente, há ganhos na antecipação da tendência do PIB regional possibilitando a identificação de quais setores tem influenciado o desempenho econômico da região no período recente e, contribuir para a tomada de decisão com base em dados mais tempestivos.
Este trabalho faz parte da iniciativa do Núcleo de Contas Nacionais do FGV IBRE (NCN), em curso desde o início de 2025, para ampliar a análise da atividade econômica sob o aspecto regional. Este trabalho é o primeiro com foco no Nordeste. Trata-se de um esforço experimental, ainda em avaliação, com objetivo de dar maior visibilidade a aspectos econômicos locais. O texto com análise completa está disponível em https://go.fgv.br/A3tuWhz2vaI
O texto está estruturado da seguinte forma: (i) resumo dos principais resultados; (ii) evolução da atividade econômica; (iii) estimativas de PIB para 2024, 2025 e o 1º semestre de 2026 e; (iv) análise do PIB regional no 2º trimestre de 2026.
RESUMO DOS PRINCIPAIS RESULTADOS
Dentre as nove UF do Nordeste, cinco mostraram evolução de PIB acima do nacional, entre 2002 e 2023, que foram: Piauí, Maranhão, Paraíba, Alagoas e Ceará. Os principais destaques foram os desempenhos do Piauí e do Maranhão que, estiveram entre as dez UF com maior crescimento de PIB dentre todas as 27 do país.
O Piauí despontou na agropecuária regional, a partir de 2017, devido a representatividade que a produção de soja tem ganhado, recentemente, nesta UF.
Na indústria, Piauí, Paraíba, Maranhão, Alagoas, Pernambuco e Bahia apresentaram desempenho acima desse setor nacional. Nos casos do Piauí, Paraíba e Maranhão, os desempenhos também ficaram acima da média regional. Cabe destacar que, embora o Rio Grande do Norte e o Ceará tenham sido as UF nordestinas com piores desempenhos de valor adicionado industrial entre 2002 e 2023, o Sergipe merece menção por ter sido a única UF do Nordeste a ter evolução abaixo da média regional e nacional nas quatro atividades industriais analisadas.
No setor de serviços, o valor adicionado do Maranhão, Ceará, Paraíba e Alagoas se destacou positivamente entre as UF do Nordeste, com evolução acima do nacional, enquanto Bahia e Pernambuco, apresentaram as menores evoluções do setor na região, entre 2002 e 2023.
Entre 2002 e 2023, a economia do Nordeste pouco se alterou, em termos de participação de suas UF na economia regional. Apenas três UF aumentaram suas participações na região, sendo o maior ganho o do Piauí (1,8 p.p.). Em contrapartida, o Sergipe registrou a maior perda de participação (-1,4 p.p.). Por estas razões, desde 2014 o Piauí passou a ser a oitava maior economia do Nordeste, ultrapassando o Sergipe, que passou a ocupar a última posição.
Conclui-se que os principais destaques positivos na região tem sido os desempenhos do Piauí e do Maranhão. No caso do Piauí, nota-se que o ganho de evolução tem se concentrado na agropecuária e na indústria, enquanto no Maranhão, a expansão do setor de serviços e a industrial tem sustentado a evolução expressiva de seu PIB. Essa dinâmica auxilia na desconcentração da economia nordestina, uma vez que estados de maior peso na economia regional, como é o caso da Bahia e de Pernambuco, tem mostrado evolução da atividade mais baixa.
Em 2024, Pernambuco foi destaque regional nas três grandes atividades econômicas. Na agropecuária, gerou a maior contribuição para o setor nordestino, enquanto, na indústria, concentrou, junto com a Bahia, o Ceará e o Maranhão cerca de 75% do crescimento regional. No setor de serviços, mais uma vez, Bahia, Pernambuco e Ceará foram os principais a contribuírem para o crescimento do setor regional.
Em 2025, as contribuições de todos os estados para o desempenho econômico regional foram mais modestas. Na análise do 1º semestre de 2026, nota-se que Pernambuco respondeu por quase 40% do crescimento do PIB nordestino, tendo sido o estado da região com as maiores contribuições positivas para a indústria e para o setor de serviços.
O crescimento do PIB da região Nordeste foi de 2,2% no 2º trimestre de 2026, sendo os maiores crescimentos do Piauí (4,1%) e de Alagoas (4,1%), seguido da Paraíba (3,8%) e da Bahia (2,7%). As demais UF nordestinas também tiveram crescimento de PIB, mas abaixo da média regional (2,2%). No caso de Piauí, Paraíba e Bahia, a agropecuária teve papel fundamental para este resultado, enquanto em Alagoas, embora a contribuição da agropecuária tenha também sido positiva, não foi maior que a do setor de serviços.
EVOLUÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA
Entre 2002 e 2023, a economia do Nordeste pouco se alterou, em termos de participação de suas UF na economia regional, comparado a outras regiões do país[2]. No período, apenas três UF aumentaram suas participações na economia regional, sendo o maior ganho o do Piauí (1,8 p.p.). Em contrapartida, o Sergipe registrou a maior perda de participação (-1,4 p.p.). Por estas razões, desde 2014 o Piauí passou a ser a oitava maior economia do Nordeste, ultrapassando o Sergipe, que passou a ocupar a última posição. No Gráfico 1 são apresentados os ganhos e perdas de participação de cada UF no valor adicionado da região Nordeste.
Gráfico 1 – Ganhos e perdas de participação das UF no valor adicionado do Nordeste na média de 2002 a 2023 – em p.p.

Fonte: IBGE – Sistema de Contas Regionais. Elaboração própria.
Apesar da Bahia e de Pernambuco também terem apresentado, junto com o Sergipe, as maiores perdas de participação no valor adicionado da região, ainda assim permaneceram sendo os estados com maior peso na atividade econômica, com peso médio de 29% e 18%, respectivamente, entre 2002 e 2023, conforme apresentado no Gráfico 2.
Gráfico 2 – Participação média das UF do Nordeste no valor adicionado da região na média de 2002 a 2023 – em %

Fonte: IBGE – Sistema de Contas Regionais. Elaboração própria.
Na análise da evolução real do PIB do país, do Nordeste e de suas UF, representada no Gráfico 3, nota-se que cinco UF nordestinas mostraram evolução de PIB acima do nacional, que foram: Piauí, Maranhão, Paraíba, Alagoas e Ceará. Os principais destaques foram os desempenhos do Piauí e do Maranhão que, entre 2002 e 2023, estiveram entre as dez UF com maior crescimento de PIB dentre todas as 27 do país. O PIB do Piauí ocupou a sexta posição, com taxa média de crescimento 3,6% ao ano, enquanto o do Maranhão figurou na oitava posição, com crescimento médio anual de PIB de 3,4%.
Gráfico 3 – Evolução do PIB da Região Nordeste por UF - 2002 = 100

Fonte: IBGE - Sistema de Contas Regionais. Elaboração própria.
Na análise da evolução real do valor adicionado por atividades econômicas, nota-se, que o Piauí despontou na agropecuária regional, a partir de 2017. Isto é explicado, principalmente, pela representatividade que a produção de soja tem, recentemente, ganhado nesta UF. De acordo com dados da Pesquisa Agrícola Municipal do IBGE (PAM), de 2016 a 2023, o valor produzido dessa cultura aumentou em mais de dez vezes no Piauí, respondendo sozinha por mais de 60% do valor produzido da agricultura piauiense. Este expressivo desempenho da agropecuária do estado, influenciou positivamente a média da evolução do valor adicionado da agropecuária nordestina, colocando-a acima da evolução das oito demais UF da região.
Na indústria[3], destacam-se os desempenhos acima do nacional, de Piauí, Paraíba, Maranhão, Alagoas, Pernambuco e Bahia. Nos casos do Piauí, Paraíba e Maranhão, os desempenhos também ficaram acima da média regional. Nestas três UF, praticamente todas as quatro atividades industriais tiveram evolução de valor adicionado acima da média nacional, sendo a única exceção o desempenho da construção no Maranhão.
Cabe destacar que, embora o Rio Grande do Norte e o Ceará tenham sido as UF nordestinas com piores desempenhos de valor adicionado industrial entre 2002 e 2023, o Sergipe merece menção por ter sido a única UF do Nordeste a ter evolução abaixo da média regional e nacional nas quatro atividades industriais analisadas. Nos casos do Rio Grande do Norte e do Ceará, os elevados pesos das atividades de indústrias extrativas e de indústrias de transformação, respectivamente, aliada aos piores desempenhos regionais nessas atividades, explicam a fraca evolução do valor adicionado industrial total nestas UF.
No setor de serviços[4], o valor adicionado do Maranhão, Ceará, Paraíba e Alagoas se destacou positivamente entre as UF do Nordeste, com evolução acima do nacional, enquanto Bahia e Pernambuco, que representam conjuntamente 45,9% do valor adicionado dos serviços nordestinos, apresentaram as menores evoluções do setor na região, entre 2002 e 2023.
A partir da análise da evolução real do PIB, do valor adicionado setorial das UF nordestinas, conclui-se que, os principais destaques positivos na região tem sido os desempenhos do Piauí e do Maranhão. No caso do Piauí, o ganho de evolução tem se concentrado na agropecuária e na indústria, enquanto no Maranhão, a expansão do setor de serviços e o industrial têm sustentado a evolução expressiva do PIB dessas elas UF. Essa dinâmica auxilia na desconcentração da economia nordestina, uma vez que estados de maior peso na economia regional, como é o caso da Bahia e de Pernambuco, tem mostrado evolução da atividade mais baixa do que estes.
Estimativas de PIB para 2024, 2025 e o 1º semestre de 2026
Para este texto, foram realizadas estimativas[5] do desempenho do PIB da região Nordeste e de suas UF para 2024, 2025 e o 1º semestre de 2026, período em que os dados oficiais do IBGE ainda não estão disponíveis. O objetivo é compreender a evolução das economias da região no período recente. Além disso, será apresentado resultado específico para o 2º trimestre deste ano, o dado mais recente estimado.
De acordo com o Gráfico 4, que mostra como cada UF contribuiu para o desempenho do PIB do Nordeste em 2024, 2025 e o 1º semestre de 2026, observa-se todos os estados da região colaboraram positivamente para o PIB regional nesses períodos.
Gráfico 4 – Taxa de crescimento estimada para o PIB da região Nordeste, em 2024, 2025 e o 1º semestre de 2026, por UF - %

Fonte: Dados estimados no estudo. Elaboração própria.
Em 2024, Pernambuco foi destaque pelo desempenho nas três grandes atividades econômicas. Na agropecuária, gerou a maior contribuição para o setor nordestino, graças a influência da produção de uva, assim como de bovinos e ovos no estado[6]. Na indústria, junto com Bahia, Ceará e Maranhão concentraram cerca de 75% do crescimento regional. Na Bahia, em Pernambuco e no Ceará, a principal atividade para esse desempenho industrial foi a indústria de transformação. Com base em dados da Pesquisa Industrial Mensal Regional do IBGE (PIM-RG) e do SCR, os segmentos de preparação de couros, fabricação de artefatos de couro, artigos para viagem, calçados e metalurgia foram os principais destaques no Ceará, enquanto na Bahia foram a fabricação de máquinas, aparelhos, materiais elétricos e produtos químicos. Em Pernambuco, o desempenho foi mais diversificado, mas destacaram-se a fabricação de veículos, de alimentícios e de produtos de metal. Já no Maranhão, o bom desempenho industrial concentrou-se, principalmente, nas indústrias extrativas, explicado pelo aumento da produção de petróleo e gás natural, e na atividade de geração elétrica. No setor dos serviços, mais uma vez Bahia, Pernambuco e Ceará foram os principais a contribuírem para o crescimento desse setor nordestino, com crescimento em todas as sete atividades de serviços analisadas, sendo do comércio a principal contribuição.
Em 2025, as contribuições de todos os estados para o desempenho econômico regional foram mais modestas. Na agropecuária, os destaques positivos foram o Maranhão, influenciado pela produção de soja, milho e bovinos; o Rio Grande do Norte, devido a cana de açúcar, mandioca e pecuária, de modo geral; e, Pernambuco, onde a pecuária foi o principal destaque. Na indústria, novamente o Maranhão se destacou, em grande parte pelo desempenho da atividade de eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos e descontaminação.
Na análise do 1º semestre de 2026, nota-se que Pernambuco respondeu por quase 40% do crescimento do PIB nordestino, tendo sido o estado da região com as maiores contribuições positivas para a indústria e para o setor de serviços. Na indústria, embora a região tenha apresentado crescimento de apenas 0,5% no 1º semestre do ano, a estimativa é que em Pernambuco a atividade tenha crescido 7,9%, devido ao desempenho da indústria de transformação; ela foi fortemente influenciada pelo segmento de fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis. De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Governo de Pernambuco[7], este “resultado reflete o dinamismo do Complexo Industrial Portuário de Suape e a retomada das operações da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), após a manutenção programada e a ampliação de sua capacidade produtiva.” Cabe pontuar que devido a parada pontual na produção da refinaria no início de 2025, a base de comparação desta atividade era baixa em Pernambuco, o que ajuda a explicar o forte crescimento registrado no setor no início de 2026. Nos serviços o grande destaque pernambucano foi o comércio.
Estimativas de PIB para o 2º trimestre de 2026
O crescimento do PIB da região Nordeste foi de 2,2% no 2º trimestre, em comparação ao mesmo período de 2025, acima dos 2,0% do PIB nacional. Apesar da retração no valor adicionado da indústria nordestina, o maior crescimento na agropecuária e nos serviços, em relação a economia nacional, fez com que o PIB da região crescesse mais que o do país, como pode ser observado no Gráfico 5.
Gráfico 5 – PIB e valor adicionado po atividade - Taxa de variação interanual - 2º trimestre de 2026 - %

Fonte: Brasil – IBGE (CNT). Regional: Estimativas dos autores com base em dados conjunturais do IBGE, EPE, ANP, DataSUS e INEP. Elaboração própria.
Na análise do Gráfico 6, que mostra o crescimento interanual do PIB da região no 2º trimestre por UF, nota-se que os maiores crescimentos de PIB na região, no 2º trimestre de 2026 foram do Piauí (4,1%) e de Alagoas (4,1%), seguido da Paraíba (3,8%) e da Bahia (2,7%). As demais UF nordestinas também tiveram crescimento de PIB, mas abaixo da média regional (2,2%). No caso de Piauí, Paraíba e Bahia, a agropecuária teve papel fundamental para este resultado, enquanto em Alagoas, embora a contribuição da agropecuária tenha também sido positiva, não foi maior que a do setor de serviços.
Gráfico 6 – PIB - Taxa de variação interanual por UF da região Nordeste - 2º trimestre de 2026 - %

Fonte: Brasil – IBGE (CNT). Regional: Estimativas dos autores com base em dados conjunturais do IBGE, EPE, ANP, DataSUS e INEP. Elaboração própria.
As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva dos autores, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV.
[1] O IBGE, produtor do Sistema de Contas Regionais, divulga os dados oficiais anuais com defasagem de cerca de dois anos, tempo necessário para que o instituto tenha todas as informações estruturais para a completa elaboração do SCR de forma precisa.
[2] Regiões como Centro-Oeste, Norte e Sul apresentaram modificações mais intensas entre 2002 e 2023, de acordo com dados do SCR.
[3] Composta por indústrias extrativas, de transformação, eletricidade, água, esgoto e atividades de gestão de resíduos e construção.
[4] Composto por comércio, transportes, informação e comunicação, atividades financeiras, atividades imobiliárias, outros serviços e administração pública.
[5] Baseada em adaptações na metodologia das Contas Nacionais Trimestrais do Brasil. Para isto foram utilizadas diversas fontes de dados, como a LSPA, PIM-PF, PMC, PMS, PNAD Contínua, entre outras.
[6] De acordo com dados da Pesquisa Agrícola Municipal do IBGE (PAM), a produção de uva pernambucana cresceu 69,8% em 2024. Já pela Pesquisa Trimestral do Abate do IBGE (PTA) e Pesquisa Trimestral de Ovos do IBGE (PTO), as produções de bovinos e ovos de Pernambuco cresceram 70,5% e 30,3%, respectivamente.
[7] Disponível em: https://www.sdec.pe.gov.br/blog/2148-pernambuco-registra-2o-maior-cresci...










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