Cenários

Hiato do PIB se mantém positivo há 13 trimestres

8 jul 2026

Economia aquecida: hiato do produto atinge 3,5% no início de 2026 e segue positivo pelo 13º trimestre seguido. Dados do FGV-IBRE mostram que o país opera sem capacidade ociosa desde 2023, com fatores de produção trabalhando acima do potencial.

O hiato do produto1 no primeiro trimestre de 2026 foi estimado em 3,5%, estando positivo desde o primeiro trimestre de 2023, após passar oito anos em terreno negativo (desde o terceiro trimestre de 2014). O Gráfico 1 ilustra essa reversão na trajetória do hiato, evidenciando a ausência de capacidade ociosa na economia nos últimos 13 trimestres.

(acesse aqui o Excel com os dados deste artigo)

O hiato do produto se tornou acentuadamente negativo a partir do primeiro trimestre de 2015 e negativo permaneceu até o quarto trimestre de 2022. Nesse período, o produto efetivo sofreu forte declínio até o fim da pandemia, quando voltou a crescer. No mesmo período, o produto potencial ficou virtualmente estagnado. A partir do primeiro trimestre de 2021, o produto potencial e o efetivo voltaram a crescer e, a partir do primeiro trimestre de 2023, o produto efetivo cresce um pouco mais (8,3%) do que o potencial (8,2%), tornando o hiato positivo.

Fonte: informações primárias do IBGE (PIB, FBKF, trabalho), da FGV (NUCI) -  elaboração própria.

O Gráfico 2 mostra que a produtividade do trabalho evolui acima da produtividade do capital durante a maior parte do período desde 1995. A produtividade do trabalho e do capital passaram por um período de forte crescimento a partir de 2005 até 2014, quando a produtividade do trabalho passou a ficar estagnada e a do capital decresceu, até o fim da pandemia de Covid, quando, junto com a produtividade do trabalho, recupera seu nível anterior.  Desde o início de 2023, a produtividade do trabalho tem crescido lentamente, enquanto a produtividade do capital ficou estagnada.

Fonte: informações primárias do IBGE (PIB, FBKF, trabalho), da FGV (NUCI) -  elaboração própria.

O Gráfico 3 mostra que a PTF apresentou vigorosa tendência de crescimento a partir da segunda metade dos anos 90 até 2011, declinou até o final da recessão em 2016, voltando a crescer até 2021, e ficando estagnada a partir daí até o fim do período analisado. Desde então, embora a PTF permaneça em níveis historicamente altos, está estagnada, com leve tendência a crescer nos últimos três anos; seu nível atual é levemente superior (0,71%) ao registrado no segundo trimestre de 2010, que havia sido seu pico.

Fonte: informações primárias do IBGE - Elaboração própria.

O Gráfico 4 abaixo mostra a utilização dos Fatores de Produção – capital e trabalho – em comparação com os seus potenciais: desde 2023 eles estão sendo utilizados acima de seus potenciais, embora tenham tido uma pequena queda no quarto trimestre de 2025, voltando a crescer no último trimestre.

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva dos autores, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV.

Fonte: informações primárias do IBGE - Elaboração própria.

 


As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva dos autores, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV.

1A partir de 2023, fizemos um aprimoramento em nosso método de cálculo do produto potencial, que envolve o tratamento da variável Produtividade Total dos Fatores (PTF). Essa variável não é mais considerada um resíduo da função de produção, após a estimativa do capital e do trabalho utilizados. Doravante, a reconhecemos como a tendência daquela série obtida pelo resíduo, após aplicação de método de filtragem (HP). Isso resulta em uma série com menos ruído e volatilidade.

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