IVF: uma proposta de medição multidimensional e subnacional do endividamento das famílias brasileiras

Índice de Vulnerabilidade Financeira Familiar, indicador trimestral dos 27 estados brasileiros, revela fortes desigualdades regionais. Indicadores nacionais ocultam vulnerabilidades distintas, reforçando necessidade de políticas públicas territorializadas.
1. Introdução
O Brasil vive um paradoxo financeiro. O mercado de trabalho registra taxas de desemprego em mínimos históricos. Os programas de transferência de renda alcançam uma parcela crescente da população. A digitalização financeira integrou milhões de brasileiros ao sistema bancário formal.
Ainda assim, a percepção de desconforto econômico permanece elevada e difusa. Algo importante pode estar escapando dos indicadores tradicionais.
Uma parte da resposta já foi oferecida pela literatura recente. O Índice de Desconforto de Crédito (IDC), desenvolvido pelo Centro de Estudos de Microfinanças e Inclusão Financeira da FGV (FGVcemif), demonstrou que o crescimento do crédito para pessoa física no Brasil se concentrou em modalidades caras e de qualidade questionável, como cartão de crédito rotativo, empréstimo pessoal sem consignação e cheque especial.
O IDC combina inadimplência, comprometimento de renda e qualidade do crédito num indicador composto e mostrou que, em janeiro de 2026, as famílias brasileiras operavam a 94% do nível máximo de desconforto financeiro registrado na série histórica, o maior nível em 12 anos (Gonzalez, 2026). É um diagnóstico poderoso e nacional.
É exatamente aí que reside a lacuna que este trabalho busca preencher. O desconforto financeiro não se distribui de forma homogênea pelo território brasileiro.
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As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva dos autores, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV.










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