Crédito

O celular e o superendividamento das famílias brasileiras

25 mai 2026

Smartphone e instrumentos financeiros digitais potencializam vieses cognitivos e mudam comportamento financeiro das famílias. Celular tornou-se simultaneamente banco, crediário e cassino, tornando endividamento mais rápido e mais invisível.

1. Introdução

O endividamento das famílias brasileiras não é um problema novo. A combinação de juros estruturalmente elevados, renda volátil e mercado de crédito historicamente concentrado em modalidades caras como cartão rotativo, cheque especial e crédito pessoal não-consignado, produz, há anos, um padrão de comprometimento de renda elevado e ciclos recorrentes de inadimplência.

O que é novo, e ainda pouco explorado, é a natureza desse endividamento. Talvez o problema não resida apenas no tamanho da dívida, mas também na velocidade e invisibilidade com que é criada.

Durante décadas, contrair dívida era um ato que exigia esforço. Era preciso ir ao banco, preencher formulários, aguardar a análise de crédito e assinar um contrato. Esse processo tinha custo de tempo e custo psicológico e funcionava, ainda que de forma imperfeita, como uma barreira natural ao endividamento impulsivo.

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As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva dos autores, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV.

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