PIB/Indicadores/Cenários

O hiato do produto volta a crescer no primeiro trimestre de 2022

7 jul 2022

No primeiro trimestre de 2022 o produto potencial volta a crescer (2%) e o crescimento do produto efetivo (1%) é inferior, acarretando um aumento do hiato para -1,4%.

Neste texto foram atualizadas, para o primeiro trimestre de 2022, as informações referentes ao hiato do PIB. Ele vinha se reduzindo bastante desde o terceiro trimestre de 2020 e registrou, no quarto trimestre de 2021, valor ainda negativo, porém próximo de fechar, devido à queda do produto potencial.

Conforme está ilustrado no Gráfico 1, abaixo, no eixo da direita, no primeiro trimestre de 2022 o produto potencial voltou a crescer (2%) e o crescimento do produto efetivo (1%) foi inferior, acarretando aumento do hiato para -1,4%. Isso indicaria que a forte redução do produto potencial, no quarto trimestre de 2021, deveu-se principalmente à queda do trabalho potencial, que teria provavelmente se revertido devido ao aumento do emprego e da redução dos desenganados da população economicamente ativa (PEA). A melhoria do mercado de trabalho, devido à recuperação da atividade de serviços com a menor intensidade da pandemia, elevou os empregos associados a esse setor, reduzindo o desemprego, já que os serviços são  altamente intensivos em mão de obra.


Fonte: informações primárias do IBGE (PIB, FBKF, trabalho), da FGV (NUCI) e elaboração própria.

O hiato do produto fechou o ano de 2021 em -3,2%, conforme ilustrado no Gráfico 1, acima, no eixo da esquerda. Após atingir seu ponto mínimo no segundo trimestre de 2020, como reflexo do choque econômico causado pela pandemia, nos dois trimestres seguintes houve recuperação do PIB, do Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) e dos indicadores de mercado de trabalho – fechando-se, portanto, a diferença entre o produto efetivo e seu potencial. No quarto trimestre de 2021, o hiato praticamente fechou, registrando -0,4%, um valor menor do que aquele do segundo trimestre de 2015. No primeiro trimestre de 2022, o hiato voltou a se alargar com o crescimento do produto potencial acima do produto efetivo.

No Gráfico 2, abaixo, é possível ver a decomposição do crescimento do produto potencial, em taxas acumuladas em 4 trimestres, evitando-se assim uma visão de curto prazo.

A queda no quarto trimestre de 2020 se deve à contribuição negativa de capital e principalmente do trabalho, com a produtividade total dos fatores (PTF) mantendo-se um pouco positiva.

É notável, historicamente, a forte contribuição do fator trabalho, sempre positiva, para o crescimento do produto potencial, favorecida pelo período do bônus demográfico que se aproxima do fim, mas se mantendo negativa durante toda a pandemia. Desde o final de 2016, com a continuidade da recessão, é possível notar a contribuição persistentemente negativa do capital, depois de ter contribuído positivamente durante os dez anos anteriores. Ao final do período de maiores contaminações da Covid-19, capital e trabalho voltam a contribuir positivamente, mas a PTF contribui negativamente para o produto potencial.


Fonte: informações primárias do IBGE (PIB, FBKF, trabalho), da FGV (NUCI) e elaboração própria.

Observa-se no Gráfico 3 que a PTF havia sido declinante da década de 1980 até o quarto trimestre de 1991; cresceu a partir daí de forma avassaladora, passando sem maiores dificuldades pela crise de 2008-2009, alcançado seu máximo no segundo trimestre de 2011. Com a recessão de 2014-16, a PTF desaba para um valor inferior ao segundo trimestre de 2005, voltando a crescer ao final de 2015, e alcançando outro ponto de máximo no segundo trimestre de 2019. A PTF se reduziu durante a pandemia, até o primeiro trimestre de 2020, quando voltou a crescer momentaneamente por dois trimestres, retornando a cair até o quarto trimestre de 2021. No primeiro trimestre de 2022, cresceu timidamente.


Fonte: informações primárias do IBGE e elaboração própria

O Gráfico 4 apresenta as informações da evolução da utilização do capital e do trabalho em percentual dos seus potenciais.  Por um lado,  ao longo dos últimos 40 anos, foi frequente a sobreutilização do capital e, por outro lado, foi predominante a subutilização de trabalho. Algumas particularidades merecem ser destacadas: na década de 80 os dois fatores de produção foram sobreutilizados; da década de 1990  em diante, até a metade da década de 2010, o fator capital foi sobreutilizado enquanto o fator trabalho foi subutilizado; de 2011 até 2014, o trabalho fica em torno do pleno emprego enquanto o mesmo acontece com o capital de 2015 até 2018; de 2015 em diante, por efeito da recessão seguida da pandemia, o fator capital volta a ficar sobreutilizado enquanto o fator trabalho volta a ficar subutilizado.


As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV.

Comentários

Max Scardua
poderiam enviar-me os dados de PIB potencial, PIB efetivo e hiato do produto do grafico até até 1T2022? email:maxscardua@yahoo.com.br
fernando.dantas
Já foi enviado, abraço.
Ana Carolina
Olá! Gostaria de ter acesso à base de dados de PIB potencial, PIB efetivo e Hiato do Produto até o dado mais recente, se possível. Meu e-mail é: nicacio.carolina@gmail.com. Muito obrigada!
Guilherme Pires
Olá, tudo bem? Poderiam me enviar os dados do PIB potencial, ou a base de dados que fica localizada? Obrigado! piresguilhermee@gmail.com
Delson
Olá, tudo bem? Poderiam me enviar os dados do PIB potencial, ou a base de dados que fica localizada? Obrigado! Parabenizar pelo conteúdo e já deixar o interesse em ler o próximo atualizado!
Anselmo
Gostaria de ter acesso à base de dados de PIB potencial, PIB efetivo e Hiato do Produto até o dado mais recente e demais informações, se possível. email: anselmo.oliveira@ufu.br parabéns pelo conteúdo

Deixar Comentário

To prevent automated spam submissions leave this field empty.