Indústria

Por que a indústria brasileira encolheu: o papel dos impostos sobre produtos

22 abr 2026

Alta carga tributária é causa central do processo de desindustrialização no Brasil. Superando médias internacionais, peso de impostos de manufaturados reduz competitividade dos produtos brasileiros. É preciso reforma urgente para setor reagir.

INTRODUÇÃO

Artigo recém-publicado chama a atenção para o fato de que, entre 1995 e 2022, a participação da indústria de transformação no PIB caiu de 15,7% para 9,8%. Diz aquele texto:

“O artigo testa duas explicações para essa acentuada desindustrialização: a doença holandesa e a desindustrialização prematura. Embora ambas encontrem respaldo estatístico na análise desenvolvida, nenhuma delas explica a queda observada. Variações do câmbio (doença holandesa) teriam levado à reindustrialização, e a evolução da renda per capita (desindustrialização prematura) deveria ter elevado, e não reduzido, a participação industrial. Uma tendência residual explica quase toda a queda, sugerindo que outros fatores — como a perda de competitividade da indústria — estão em jogo.” [1]

Este artigo[2] chama a atenção para o fato de que a competividade da indústria possa estar associada à elevada carga tributária sobre seus produtos. O texto busca evidenciar essa hipótese sem, entretanto, testá-la com o aparato de ferramentas estatísticas mais elaboradas.

A nota metodológica anexa esclarece os conceitos de que se lança mão para evidenciar essa carga tributária excessiva, dando origem ao conceito de Taxa de Imposto que vem a ser o percentual de participação dos impostos sobre produtos (líquidos de subsídios) no Valor da Produção a preços de mercado ou no Valor da Oferta a preços de mercado.

Clique aqui para ler o artigo na íntegra.


As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva dos autores, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV. 

 

[1] Edmar L. Bacha, Victor S. Terziani, Claudio M. Considera, Eduardo A. Guimarães, “Why did Brazil deindustrialize so much? Testing the Dutch disease and premature deindustrialization hypotheses ” in Revista Brasileira de Economia 79(2), abril-junho 2025, pp. 1-20

[2] Os autores agradecem ao Professor Edmar Lisboa Bacha por seus inúmeros comentários e sugestões que possibilitaram a melhoria deste texto.

Comentários

Eli Moreno
Muito bom artigo. Parabéns aos autores. Porém, vale considerar um ponto importante: De fato, a carga tributária elevada reduz a capacidade de crescimento do setor. Porém, a perda de representação da indústria no conjunto da economia não se deve apenas por isso. O crescimento do setor Serviços é uma tendência natural no mundo todo, quando se observa que as demandas pelos produtos industriais perdem espaço para os de serviços. Um bom exemplo vem dos Estados Unidos x China, quando o PIB industrial abriu espaço para o de Serviços, enquanto a China está na fase de prioridade da industrialização exportadora e não de serviços que tem maior demanda interna. Também é o caso da Agropecuária que cresce acima da média geral, também restringindo a participação da indústria no conjunto. E quando não há uma política de valorização da indústria de transformação, que tem maior valor agregado, ela acaba, não só perdendo espaço para os outros setores, mas também deixa de contribuir para um maior desenvolvimento tecnológico que é vetor para a economia como um todo.

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