Trabalho

Saldo de junho supera projeções, mas é o pior desde 2020

5 ago 2026

Em junho de 2026, saldo formal de empregos somou 145.161 vagas, superando projeções do mercado, mas com queda de 10,4% ante junho de 2025. Tanto o mês quanto o acumulado do semestre (921.645 postos, ou recuo de 25,0%) são os piores desde 2020.

Nesta edição, analisamos o desempenho do mercado de trabalho formal no Brasil com base nos dados mais recentes do Novo CAGED, referentes a junho de 2026. O mês registrou a criação líquida de 145.161 postos de trabalho. Contrário aos últimos dois meses, o desempenho superou as expectativas do mercado, cuja mediana projetava a abertura de 97 mil vagas segundo o Valor Data. Porém, o saldo mensal foi 10,4% inferior ao registrado em junho de 2025 (161.999 vagas) e 29,7% menor em comparação a junho de 2024 (206.624 vagas). Assim como ocorreu nos meses anteriores, este é o pior número para junho desde 2020, período severamente impactado pelo choque inicial da pandemia, quando houve o fechamento de 53.381 vagas.

No acumulado do primeiro semestre de 2026, o saldo totalizou 921.645 postos formais, provenientes de 13.966.352 admissões e 13.044.707 desligamentos. O volume representa um recuo de 25,0% em relação ao acumulado de janeiro a junho de 2025 (1.229.272 vagas) e uma queda de 29,8% frente ao mesmo intervalo de 2024 (1.313.486 vagas). Mais uma vez, este é o pior desempenho acumulado para o período desde 2020, ficando abaixo inclusive do montante registrado no início de 2023 (1.031.583 vagas).

Gráfico 1 - Admissões, demissões e saldos. Saldo mensal –2020 a 2026 – Brasil

Fonte: Elaboração das autoras com base nos microdados do Novo CAGED. Dados com ajustes declarados até junho de 2026.

Sob a perspectiva setorial, conforme detalhado na Tabela 1, todos os grandes grupamentos econômicos registraram saldo positivo em junho de 2026, mas apenas Construção e Serviços conseguiram crescer frente ao mesmo mês do ano anterior. O setor de serviços manteve a liderança na geração de empregos formais e exibiu leve alta no volume, passando de 72.942 vagas em junho de 2025 para 74.514 neste ano, um avanço de 2,2%. Já a construção civil teve o melhor desempenho relativo do mês, com crescimento de 44,5% e um acréscimo de 4.350 postos no saldo. Na direção oposta, o comércio registrou a maior retração em termos absolutos, com o saldo encolhendo 14.691 postos (-43,4%) na comparação interanual. A indústria e a agropecuária também perderam dinamismo na mesma base de comparação, com quedas de 23,2% e 13,9%, respectivamente.

Tabela 1 - Saldo de junho – por setor de atividade – Brasil

Fonte: Elaboração das autoras com os microdados do Novo CAGED. Dados com ajustes até junho/2026. O total inclui os não identificados.

No acumulado de janeiro a junho, o setor de serviços continuou respondendo pela maior fatia das vagas criadas, totalizando 571.926 (62,1%) postos, mas ainda assim marcou uma queda de 11,1% frente ao mesmo período de 2025. O comércio apresentou a maior retração proporcional acumulada (-103,6%), registrando um saldo negativo de 3.514 vagas entre janeiro e junho.

Enquanto isso, a indústria e a agropecuária viram seus saldos encolherem 37,5% e 59,7%, respectivamente. O único setor a apresentar crescimento foi a construção civil, que registrou alta de 6,5% no acumulado, gerando 168.962 novos postos. Nota-se uma desaceleração generalizada nas contratações, atenuada, em parte, pela resiliência da construção civil. Na análise regional, apresentada na Tabela 2, todas as cinco regiões do país registraram queda no saldo de empregos formais em junho de 2026 frente ao mesmo mês de 2025.

Tabela 2 - Saldo de junho – por Região – Brasil

Fonte: Elaboração das autoras com os microdados do Novo CAGED. Dados com ajustes até junho/2026. O total inclui os não identificados.

O Sudeste seguiu concentrando a maior parte das contratações líquidas, com 70.383 vagas, mas recuou apenas 3,2% na comparação interanual, a menor retração entre as regiões, ao lado do Nordeste (-3,7%, com saldo de 34.433 postos). Já o Sul apresentou o pior desempenho relativo, com o saldo caindo 39,6% e encerrando o mês com 10.453 vagas, seguido pelo Norte (-23,8%) e pelo Centro-Oeste (-16,9%). No acumulado do primeiro semestre, o quadro é semelhante: todas as regiões recuaram frente a 2025, com destaque para o Norte, que registrou a maior queda proporcional (-34,5%), e para o Nordeste, que teve a retração mais amena (-21,7%).

O Gráfico 2 apresenta a evolução do saldo dos vínculos intermitentes, tanto na janela móvel acumulada em 12 meses quanto no acumulado do primeiro semestre de cada ano. O saldo dos intermitentes totalizou 92.073 postos nos últimos 12 meses, uma retração de 8,9% frente aos 101.061 registrado no mesmo período do ano anterior. Entretanto, como o saldo total do mercado formal recuou de forma muito mais acentuada nesse mesmo intervalo, caindo de 1.595.414 para 963.921 postos (-39,6%), a participação dos intermitentes no saldo agregado praticamente dobrou, saltando de 6,3% para 9,6%.

Gráfico 2 – Evolução do saldo acumulado dos intermitentes. 2021 a 2026 – Brasil – Acumulado em 12 meses

Fonte: Elaboração das autoras com os microdados do Novo CAGED. Dados com ajustes até junho/2026.

A composição setorial do saldo acumulado em 12 meses dos intermitentes, ilustrada no Gráfico 3, mostra que os Serviços seguem concentrando a maior parte dessas contratações líquidas, respondendo por 67.038 postos em junho de 2026 (72,8% do total), apesar de o volume ter recuado 10,8% frente aos 75.142 registrados em junho de 2025. A Indústria foi o destaque positivo do período: o saldo de intermitentes avançou 27,6%, totalizando 9.187 postos, ganhando quase 3 pontos percentuais de participação, de 7,1% para 10,0%.

Gráfico 3 – Composição do Saldo acumulado em 12 meses dos intermitentes por setor – Brasil

Fonte: Elaboração das autoras com os microdados do Novo CAGED. Dados com ajustes até junho/2026. O total inclui os não identificados.

Na direção oposta, o Comércio teve a maior retração relativa entre os setores, com o saldo recuando 30,9% e sua representatividade caindo de 8,3% para 6,3%. A Construção se manteve relativamente estável, com queda de 6,0% no volume, enquanto a Agropecuária, mesmo partindo de uma base pequena, quase dobrou seu saldo (+54,7%, para 894 postos).

De acordo com a tabela 3, mais de um terço (34,7%) dos trabalhadores intermitentes, no acumulado dos últimos 12 meses encerrado em junho, são trabalhadores dos serviços. Trata-se da criação liquida de 31.965 postos de intermitentes nesta ocupação, o que representa alta de 10,6% frente ao mesmo período do ano anterior. Entre os destaques de crescimento, os Técnicos de Nível Médio das Ciências Físicas, Químicas, Engenharia e Afins apresentaram a maior variação percentual do saldo (+32,3%), seguidos pelos Trabalhadores de Funções Transversais (+22,9%). Na direção oposta, os Trabalhadores de Atendimento ao Público sofreram a maior retração, com o saldo caindo 59,7%, seguidos pelos Profissionais do Ensino (-44,6%). Juntas, essas dez ocupações passaram a responder por 92,8% do saldo total dos intermitentes no país em 2026, ante 83,9% um ano antes, mesmo com o saldo agregado recuando 8,9% na comparação anual (de 101.061 para 92.073 vagas).

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As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva das autoras, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV. 

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