Infraestrutura: alta dos preços dos insumos traz novo desafio

Sondagens de março a maio indicam impacto da alta dos insumos. Infraestrutura é particularmente sensível, com muitos contratos sem cláusulas de reajuste. No trimestre até maio, há piora em expectativas de tendência de negócios nos próximos meses.
Sondagem da construção mar-abr-mai*
As sondagens empresariais realizadas no início do ano indicaram que as empresas permaneceram cautelosas, sinalizando um pessimismo relativamente moderado.
Os resultados das Sondagem da Construção referente ao trimestre encerrado em maio permitem antecipar a continuidade do crescimento do setor formal nesse início de segundo trimestre. Ao final do período, prevalece a percepção de que a demanda seguirá em expansão, acompanhada por novas contratações de mão de obra. Entre fevereiro e maio, o Índice de Confiança da Construção (ICST) apresentou alta, impulsionado por ambos os seus componentes – Índice da Situação Atual (ISA) e Índice de Expectativas (IE). No recorte intersetorial, a infraestrutura mais uma vez teve papel de destaque, contribuindo positivamente para o desempenho dos indicadores. Dentro desse segmento, sobressaíram-se as Obras Viárias e as Obras-de-arte Especiais, que, diferentemente da média setorial, revelaram uma percepção moderadamente otimista em relação ao ambiente de negócios.
Essa avaliação, contudo, será testada nos próximos meses diante do surgimento de um novo desafio: a alta dos preços dos insumos.
Gráfico 1 - Setor da Construção: ICST e componentes
(Dados padronizados desde dez/24 a mai/26 e dessazonalizados, em mm3)

Fonte e elaboração: FGV IBRE
Infraestrutura
No trimestre encerrado em maio, o Índice de Confiança da Construção (ICST) apresentou evolução positiva na comparação com o trimestre anterior, após ajuste sazonal (+0,7 ponto), embora ainda permaneça em patamar compatível com um pessimismo moderado por parte dos empresários. Desta vez, o avanço não foi disseminado entre os segmentos, concentrando-se na infraestrutura (+1,5 ponto).
Cabe destacar que a alta ocorreu apenas em março, sendo seguida por recuo em abril e estabilidade em maio. Ainda assim, tanto o ICST agregado quanto o indicador da infraestrutura se acomodaram em níveis superiores aos observados em fevereiro.
Como tem sido recorrentemente, o ICST da infraestrutura permanece acima da média do setor, coma diferença se ampliando no trimestre findo em maio (gráfico 2). Por sua vez, o segmento de Serviços Especializados segue o mais pessimista (gráfico 3) embora tenha apresentado leve recuperação no último mês do trimestre.
Já o segmento de Edificações Residencial, que vinha sustentando trajetória de melhora nos meses anteriores, registrou recuo em maio, refletindo o agravamento das condições adversas associado, principalmente, ao aumento dos custos.
Gráfico 2 [1] - Índice de Confiança (ICST) - Construção x Obras de Infraestrutura
Dados padronizados desde nov/19 a mai/26, dessazonalizados

Fonte e elaboração: FGV IBRE
Gráfico 3 - Índice de Confiança da Construção (ICST): maio de 2026 (em pontos) e evolução trimestral (mar-abri-mai 2026 / dez 2025-jan-fev 2026)
Dados padronizados e dessazonalizados

Fonte e elaboração: FGV IBRE
Vale destacar que, em maio, a queda do ICST refletiu a deterioração das expectativas. Enquanto a percepção sobre os negócios correntes, capturado pelo ISA, registrou alta, o componente de expectativas (IE) recuou, influenciado por uma pior avaliação quanto à tendência dos negócios. Esse movimento também se observa na comparação interanual, na qual apenas o IE registrou piora.
Entre as empresas de Obras de Infraestrutura, o comportamento foi semelhante: houve alta do ISA e piora no IE frente a abril.
Por sua vez, o ICST das empresas de Construção de Obras Viárias (rodovias, ferrovias, obras urbanas) e Obras de Arte Especiais, que havia se mantido praticamente estável nos quatro primeiros meses do ano, apresentou melhora expressiva em maio. O indicador atingiu o melhor resultado desde março de 2025, sinalizando um nível de confiança compatível com uma avaliação positiva dos negócios correntes.
A comparação com a média do setor mostra um desempenho superior dessas atividades em quase todos os quesitos. A única exceção é o NUCI, que permanece abaixo da média, indicando ainda a existência de capacidade ociosa e, portanto, espaço para expansão adicional da atividade.
Tabela 1- Índice de Confiança (ICST) e componentes – Construção x Obras de Infraestrutura
Maio de 2026 - Dados padronizados e dessazonalizados

Fonte e elaboração: FGV IBRE
Como observado nos demais segmentos, em maio os componentes do ICST de Obras Viárias (rodovias, ferrovias, obras urbanas) e Obras-de-arte Especiais evoluíram em direções opostas. O componente de expectativas (IE) registrou ligeira queda (-0,1 ponto), insuficiente, contudo, para reverter os avanços acumulados nos dois meses anteriores.
Dessa forma, a média trimestral manteve trajetória de alta, superando o nível de 100 pontos (Gráfico 4) o que sinaliza um patamar de confiança mais elevado no período recente.
Gráfico 4 [2] - Índice de Confiança (ICST), Construção de Obras Viárias e Obras-de-arte Especiais
Dados padronizados desde nov/19 a mai/26 e dessazonalidados, em mm3

Fonte e elaboração FGV IBRE
Na comparação ponta a ponta entre os trimestres - maio de 2026 frente a fevereiro do mesmo ano – observa-se uma melhora da confiança em todos os segmentos de infraestrutura. Ainda assim, as empresas de Construção de Rodovias, Ferrovias, Obras urbanas e Obras-de-arte especiais continuam apresentando o indicador mais elevado entre os segmentos.
Tabela 2 - Índice de Confiança (ICST) – Obras de Infraestrutura
Dados dessazonalizados

No que diz respeito à evolução recente da atividade, a retomada observada no trimestre anterior prosseguiu, e, desde abril, o indicador passou a superar o patamar de neutralidade. Em maio, o percentual de empresas que reportaram aumento de atividade nos últimos três meses superou o daquelas que apontaram queda em 1,7 ponto percentual.
Gráfico 5 [3] - Indicador de Evolução Recente da Atividade - Construção de Obras Viárias e Obras-de-arte Especiais
Média móvel trimestral, em pontos, dados dessazonalizados

Fonte e elaboração FGV IBRE
O aquecimento da atividade resultou em aumento da demanda por trabalhadores, acentuando a já recorrente escassez de mão de obra qualificada. Ao mesmo tempo, um novo fator de preocupação ganhou relevância: a alta dos custos dos insumos, que, desde fevereiro, registrou aumento expressivo nas assinalações (+8,5 p.p.), passando a superar o custo da mão de obra como principal fator limitante aos negócios.
Não há, no curto prazo, perspectiva de alívio imediato para nenhuma dessas restrições. No que se refere à escassez de trabalhadores, os empresários da construção – tanto no agregado quanto, especialmente, no segmento de obras viárias e de artes – continuam sinalizando a intenção de ampliar as contratações nos próximos meses. O Indicador de Emprego Previsto desse segmento avançou 5,1 pontos na comparação com o trimestre anterior e 7 pontos na comparação entre maio e o mesmo mês do ano passado.
Por sua vez, as dificuldades relacionadas ao custo da matéria-prima vêm se intensificando desde março, em linha com a elevação dos preços dos insumos.
Gráfico 6 - Construção de Obras Viárias e Obras-de-arte Especiais – Limitação à melhoria dos negócios
% de assinalações em mai/26* x diferença mai/25 a mai/26**

Gráfico 7 - Indicador [4] de Emprego Previsto
Dados padronizados média mar-abr-mai/2026, dessazonalizados, em pontos

Fonte e elaboração FGV IBRE
Na comparação interanual, de maio de 2026 frente a maio de 2025, a diferença entre o ICST da infraestrutura e o indicador agregado foi eliminada, passando o índice do trimestre findo em maio de 2026 a superar o registrado no mesmo período do ano anterior.
No caso das empresas de Construção de Rodovias, Ferrovias, Obras urbanas e Obras-de-arte especiais, observa-se melhora interanual tanto na comparação mensal quanto na trimestral, indicando fortalecimento mais consistente da confiança nesse segmento.
Tabela 3 - Índice de Confiança (ICST)
Dados sem ajuste sazonal

A Sondagem da Infraestrutura é uma seção do 6º Boletim da Infraestrutura disponível em https://go.fgv.br/rAFETzDLkc1.
As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV.
[1] Segmentos:
* Construção: Edificações, Infraestrutura e Serviços Especializados
** Obras de Infraestrutura: Rodovias, ferrovias, obras urbanas e obras-de-arte especiais, Energia elétrica, telecomunicações, água, esgoto e transporte por dutos e outras obras de infraestrutura.
Índice de Confiança:
Faixa entre 100-110: sinaliza o período moderadamente otimista.
Faixa entre 90-100: sinaliza o período moderadamente pessimista.
[2] Índice de Confiança:
Faixa entre 100-110: sinaliza percepção moderadamente otimista.
Faixa entre 90-100: sinaliza percepção moderadamente pessimista.
[3] Indicador:
Faixa entre 100-110: sinaliza percepção moderadamente otimista.
Faixa entre 90-100: sinaliza percepção moderadamente pessimista.
[4] Indicador:
Faixa entre 100-110: sinaliza o período moderadamente otimista.
Faixa entre 90-100: sinaliza o período moderadamente pessimista.










Deixar Comentário