Desempenho do PIB da região Norte no 2º trimestre de 2026
O PIB do Norte cresceu apenas 0,2% no 2º trimestre, em comparação ao 2º tri de 2025. A maior parte dos estados da região apresentou crescimento do PIB no trimestre, embora apenas Roraima tenha registrado variação (2,9%) acima da nacional (2,0%).

O PIB do Norte cresceu apenas 0,2% no 2º trimestre, em comparação ao 2º trimestre de 2025. A maior parte dos estados da região apresentou crescimento do PIB no trimestre, embora apenas Roraima tenha registrado variação (2,9%) acima da nacional (2,0%).
O objetivo deste texto é apresentar como o PIB da região Norte, e de suas sete Unidades da Federação - UF (Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará, Amapá e Tocantins), evoluiu no 2º trimestre de 2026 e o que se pode inferir para o resultado deste ano. Buscou-se detalhar as contribuições dos três grandes setores de atividade econômica (agropecuária, indústria e serviços) para o desempenho do PIB da região e comparar os resultados locais com o divulgado nas Contas Nacionais Trimestrais do IBGE (CNT) para o Brasil em 1º de setembro.
Este trabalho faz parte da iniciativa experimental do Núcleo de Contas Nacionais do FGV IBRE (NCN), em curso desde o início de 2025, para ampliar a análise da atividade econômica sob o aspecto regional. As estimativas apresentadas foram elaboradas com base em dados conjunturais já disponíveis[1] e com avaliação de aderência aos dados do Sistema de Contas Regionais do IBGE (SCR), disponíveis até o ano de 2023.
O texto está estruturado da seguinte forma: (i) principais resultados; (ii) análise interanual do 2º trimestre de 2026; e; (iii) expectativa para 2026.
1. PRINCIPAIS RESULTADOS
- Na análise interanual, o PIB da região Norte cresceu 0,2% no 2º trimestre, abaixo do 2,0% divulgado pelo IBGE para o PIB nacional.
- Todas as grandes atividades econômicas da região tiveram desempenho de valor adicionado abaixo do nacional, mas as diferenças na agropecuária e na indústria foram mais significativas.
- A maior parte das UF da região apresentou crescimento interanual do PIB no trimestre, embora apenas Roraima tenha registrado variação (2,9%) acima da nacional (2,0%).
- A queda do valor adicionado da indústria nortista foi motivada pelas contribuições negativas do setor no Amazonas, influenciado pelo desempenho da indústria de transformação; e, no Pará, onde a retração das indústrias extrativas foi determinante.
- O crescimento do PIB do Norte deveu-se ao setor de serviços, que foi a atividade que mais contribuiu para o desempenho do PIB do Acre, Roraima, Amapá e Tocantins, além de ter ajudado a atenuar as retrações do PIB do Amazonas e do Pará. Apenas em Roraima, onde a agropecuária foi o principal destaque no PIB, com crescimento disseminado em vários segmentos como a produção de bovinos, milho, soja e café.
- Para o Brasil a expectativa é que 2026 seja um ano de desaceleração da economia e, para a Região Norte, o padrão deve ser similar, já que a taxa observada para o crescimento do PIB e de suas UF no 1º semestre de 2026, está abaixo da média do crescimento dessas economias no biênio 2024-2025.
2. ANÁLISE INTERANUAL – 2º TRIMESTRE DE 2026
O crescimento do PIB da região Norte foi de 0,2% no 2º trimestre, em comparação ao mesmo período de 2025, abaixo dos 2,0% do PIB nacional. Como pode ser observado no Gráfico 1, todas as grandes atividades econômicas da região tiveram desempenho de valor adicionado abaixo do nacional, mas as diferenças na agropecuária e na indústria foram mais significativas. No primeiro caso pela ampla diferença das magnitudes de crescimento e, na indústria, pela retração estimada para a região (-1,3%), fato não observado no desempenho do país (1,5%).

Fonte: Brasil – IBGE (CNT). Regional: Estimativas dos autores com base em dados conjunturais do IBGE, EPE, ANP, DataSUS e INEP. Elaboração própria.
Na análise da taxa de crescimento do PIB, do 2º trimestre por UF da região, apresentada no Gráfico 2, observa-se que o PIB da maioria delas apresentou crescimento interanual, destacando-se Rondônia que registrou variação (2,9%) acima da nacional (2,0%). Destaca-se também o fato de que Amazonas (-0,8%) e Pará (-0,2%) tiveram retração de PIB no período; como eles representam mais de 60% do PIB nortista, este desempenho atenuou o crescimento regional tornando-o próximo a estabilidade (0,2%).

Fonte: Estimativas dos autores com base em dados conjunturais do IBGE, EPE, ANP, DataSUS e INEP. Elaboração própria.
Ainda de acordo com o Gráfico 2, nota-se que a queda do valor adicionado da indústria nortista foi motivada pelas contribuições negativas do setor no Amazonas, influenciado pelo desempenho da indústria de transformação, e no Pará, onde a retração nas indústrias extrativas foi determinante. Na indústria de transformação amazonense, recuos na produção de atividades importante para o estado, como a fabricação de equipamentos de informática, produtos eletrônicos, ópticos, máquinas e equipamentos explicam o desempenho negativo. Já na extrativa paraense, de acordo com relatório divulgado pela Vale[2], a redução da produção no Sistema Norte já era planejada pela empresa neste trimestre.
Em termos de contribuição positiva, verifica-se que o crescimento do PIB do Norte deveu-se ao setor de serviços, que foi a atividade que mais contribuiu para o desempenho do PIB do Acre, Roraima, Amapá e Tocantins, além de ter ajudado a atenuar as retrações do PIB do Amazonas e do Pará. Apenas em Rondônia, que a agropecuária foi o principal destaque no PIB, com crescimento disseminado em vários segmentos como a produção de bovinos, milho, soja e café.
3. EXPECTATIVA PARA 2026
Para o Brasil a expectativa é que 2026 seja um ano de desaceleração da economia, com estimativa de crescimento do PIB em 1,9%[3]. Para a Região Norte, o padrão deve ser similar, já que a taxa observada para o crescimento do PIB e de suas UF no 1º semestre de 2026, está abaixo da média do crescimento dessas economias no biênio 2025-2025, conforme apresentado no Gráfico 3.
Existem os desafios comuns ao país e aos estados relacionados ao elevado patamar da taxa de juros, ao alto grau de endividamento das famílias e, ao risco de pressão inflacionária pelo aumento do preço do barril do petróleo neste ano, além da expectativa de aumento no preço dos alimentos devido aos potenciais prejuízos que podem ser gerados pelo El Niño, o que acarreta risco de pressão inflacionária. Caso isso ocorra pode acarretar a redução do ritmo de corte dos juros em curso pelo Banco Central. Além disso, há toda a incerteza característica de um ano eleitoral. Todos esses são elementos que tendem a deixar os agentes econômicos mais cautelosos na tomada de decisão e comprometem, principalmente, investimentos em atividades ligadas a indústria e parte dos serviços.

Fonte: Estimativas dos autores com base em dados conjunturais do IBGE, EPE, ANP, DataSUS e INEP. Elaboração própria.
As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva dos autores, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV.
[1] Baseada em adaptações na metodologia das CNT. Para isto foram utilizadas diversas fontes de dados, sendo a maioria do IBGE, como a LSPA, a PIM-PF, a PMC, a PMS, a PNAD Contínua, entre outras.
[2] Disponível em: https://vale.com/pt/confira-os-resultados-de-produ%C3%A7%C3%A3o-e-vendas...
[3] Segundo mediana das projeções do Boletim Focus do Banco Central em 28 de agosto.










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