Desempenho do PIB da região Sul no 2º trimestre de 2026

PIB do Sul cresceu 2,2% no 2º tri de 2026, acima do 2,0% do PIB nacional. Agropecuária foi principal fator a explicar por que economia regional cresceu mais, com destaque do RGS, que concentrou mais de 80% do crescimento da agropecuária regional.
O PIB da região Sul cresceu 2,2% no 2º trimestre de 2026, acima do 2,0% do PIB nacional. O desempenho do valor adicionado da agropecuária da região foi o principal fator a explicar o maior crescimento da economia regional. Esse bom desempenho sulista no setor se refere em sua maior parte ao desempenho agropecuário gaúcho, que concentrou mais de 80% do crescimento da agropecuária regional.
O objetivo deste texto é apresentar como o PIB da região Sul, e de suas três Unidades da Federação - UF (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), evoluiu no 2º trimestre de 2026 e o que se pode inferir para o resultado deste ano. Buscou-se detalhar as contribuições dos três grandes setores de atividade econômica (agropecuária, indústria e serviços) para o desempenho do PIB da região e comparar os resultados locais com o divulgado nas Contas Nacionais Trimestrais do IBGE (CNT) para o Brasil em 01º de setembro.
Este trabalho faz parte da iniciativa experimental do Núcleo de Contas Nacionais do FGV IBRE (NCN), em curso desde o início de 2025, para ampliar a análise da atividade econômica sob o aspecto regional. As estimativas apresentadas foram elaboradas com base em dados conjunturais já disponíveis[1] e com avaliação de aderência aos dados do Sistema de Contas Regionais do IBGE (SCR), disponíveis até o ano de 2023.
O texto está estruturado da seguinte forma: (i) principais resultados; (ii) análise do 2º trimestre de 2026 em comparação ao 1º do ano; (iii) análise interanual do 2º trimestre de 2026; e; (iv) expectativa para 2026.
PRINCIPAIS RESULTADOS
- Na análise interanual, o PIB da região no 2º trimestre de 2026 foi de 2,2%, acima do 2,0% do PIB nacional. O desempenho do valor adicionado da agropecuária da região foi o principal fator a explicar o crescimento da economia regional superior ao do Brasil.
- O setor de serviços e a agropecuária foram os principais responsáveis pelo desempenho positivo interanual da economia sulista no 2º trimestre, embora a indústria também tenha ajudado. No caso dos serviços, todos os estados tiveram influência significativa no setor para o resultado da região. Já na agropecuária, fica evidente que o bom desempenho sulista se refere em sua maior parte ao desempenho dessa atividade no Rio Grande do Sul, onde se concentrou mais de 80% do crescimento da agropecuária da região.
- O maior crescimento interanual estimado para o PIB do 2º trimestre foi o do Rio Grande do Sul (3,6%), explicado, em grande parte, pelo expressivo crescimento do valor adicionado da agropecuária gaúcha (21,9%), onde a produção de soja foi o grande destaque positivo da atividade.
- Santa Catarina também teve desempenho acima do nacional, com crescimento de PIB em 2,2% no 2º trimestre, com cerca de 80% desse resultado sendo explicado pelo crescimento de 2,9% do valor adicionado de serviços do estado.
- Apenas o Rio Grande do Sul apresentou crescimento do PIB superior no 1º semestre de 2026 (2,1%) em relação a taxa média do biênio 2024-2025 (1,7%). Para as demais UF da região, no entanto, o desempenho da economia se mostrou mais modesto, o que se refletiu em taxas de crescimento no 1º semestre do ano, mais baixas do que as observadas no biênio 2024-2025. Por esta razão, há indícios de que 2026 será um ano de menores taxas de crescimento do PIB na região Sul em comparação ao biênio 2024-2025.
ANÁLISE INTERANUAL – 2º TRIMESTRE DE 2026
O crescimento do PIB da região Sul foi de 2,2% no 2º trimestre, em comparação ao mesmo período de 2025; acima do 2,0% observado para o PIB nacional. O desempenho do valor adicionado da agropecuária da região foi o principal fator a explicar o crescimento da economia regional superior ao do Brasil. Enquanto a agropecuária do Sul cresceu 8,6% no 2º trimestre, no Brasil esta atividade cresceu 6,8%, como pode ser observado no Gráfico 1. O desempenho do setor de serviços sulista (1,6%) também foi superior ao nacional (1,5%), mas em magnitudes similares. A única atividade em que o valor adicionado regional foi menor que o nacional foi na indústria, mas também em taxas bastante similares (1,4% na região e 1,5% no país).

Fonte: Brasil – IBGE (CNT). Regional: Estimativas dos autores com base em dados conjunturais do IBGE, EPE, ANP, DataSUS e INEP. Elaboração própria.
A Tabela 1 mostra as taxas de variação interanuais do PIB e do valor adicionado das três grandes atividades econômicas para a região Sul e suas unidades da federação no 2º trimestre. Nota-se que o PIB de todas as UF da região cresceu, tendo apresentado resultados positivos também setorialmente.
Tabela 1 – PIB e valor adicionado setorial – Taxa de variação interanual
2º trimestre de 2026 - %

Fonte: Estimativas dos autores com base em dados conjunturais do IBGE, EPE, ANP, DataSUS e INEP. Elaboração própria.
O maior crescimento estimado para o PIB foi o do Rio Grande do Sul (3,6%), explicado em grande parte pelo expressivo crescimento do valor adicionado da agropecuária gaúcha (21,9%), onde a produção de soja foi o grande destaque positivo da atividade. Na indústria, o Rio Grande do Sul também teve o melhor desempenho regional, com resultados positivos disseminado entre as atividades do setor. No setor de serviços, contudo, o estado não teve desempenho tão forte, registrando crescimento de 1,4% no trimestre. Santa Catarina também teve desempenho acima do nacional, com crescimento de PIB em 2,2% no 2º trimestre, com cerca de 80% desse resultado sendo explicado pelo crescimento de 2,9% do valor adicionado de serviços do estado. Neste setor, em Santa Catarina, o crescimento foi disseminado entre as suas atividades, mas comércio e outros serviços[2] se destacaram como as suas maiores contribuições positivas. No Paraná, estado com desempenho de PIB mais modesto na região (0,9%), nota-se que todos os setores cresceram em torno de 1,0%, sem um destaque específico entre eles.
O Gráfico 2, que apresenta a contribuição das atividades na taxa de variação trimestral interanual do total do valor adicionado no 2º trimestre de 2026, mostra que o setor de serviços e a agropecuária foram os principais responsáveis pelo desempenho positivo da economia sulista no 2º trimestre, embora a indústria também tenha ajudado nesse desempenho. No caso dos serviços, todos os estados tiveram influência significativa no setor. Já na agropecuária, fica evidente que o bom desempenho sulista se refere, em sua grande parte, a atividade no Rio Grande do Sul, que explica mais de 80% do crescimento da agropecuária da região.

Fonte: Estimativas dos autores com base em dados conjunturais do IBGE, EPE, ANP, DataSUS e INEP. Elaboração própria.
EXPECTATIVA PARA 2026
Para o Brasil a expectativa é que 2026 seja um ano de desaceleração da economia, com estimativa de crescimento do PIB em 1,9%[3]. Para a Região Sul, o padrão deve ser similar, sendo a única exceção o Rio Grande do Sul, que tem na agropecuária um forte motor para o crescimento econômico do ano, mesmo com a expectativa de um El Niño severo que pode ter impactos prejudiciais na agropecuária no 2º semestre. Tendo em vista que o principal fator para o crescimento do valor adicionado da agropecuária gaúcho foi a produção de soja, e essa cultura é colhida em grande parte no 1º semestre, o bom desempenho agropecuário deve realmente favorecer o PIB desse estado em 2026.
Para as demais UF, entretanto, existem os desafios relacionados ao elevado patamar da taxa de juros, ao alto grau de endividamento das famílias e, ao risco de pressão inflacionária pelo aumento do preço do barril do petróleo neste ano, além da expectativa de aumento no preço dos alimentos devido aos potenciais prejuízos que podem ser gerados pelo El Niño, o que gera risco de pressão inflacionária e pode reduzir o ritmo de corte dos juros em curso pelo Banco Central. Além disso, há toda a incerteza característica de um ano eleitoral. Todos esses são elementos que tendem a deixar os agentes econômicos mais cautelosos na tomada de decisão e comprometem, principalmente, investimentos em atividades ligadas a indústria e parte dos serviços.
Por esta razão, há indícios de 2026 ser um ano de menores taxas de crescimento do PIB na região Sul em comparação ao biênio 2024-2025. Nestes anos, a taxa média estimada de crescimento para o PIB regional foi de 2,8%, pouco superior ao 2,2% apresentado no 1º semestre de 2026, em comparação ao mesmo período de 2025, conforme apresentado no Gráfico 3. Verifica-se que a maior discrepância entre as taxas é observada em Santa Catarina, onde em 2024 e 2025 a indústria teve uma maior relevância no crescimento econômico do estado e, no 1º semestre do ano, tem enfrentado maiores desafios. Além disso, o setor de serviços, embora ainda contribua em grande magnitude positiva, reduziu essa contribuição neste ano, o que explica a menor taxa observada no estado no 1º semestre do ano (2,5%), em comparação ao crescimento de 4,1% da atividade econômica na média dos biênios 2024-2025.

Fonte: Estimativas dos autores com base em dados conjunturais do IBGE, EPE, ANP, DataSUS e INEP. Elaboração própria.
As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva dos autores, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV.
[1] Baseada em adaptações na metodologia das CNT. Para isto foram utilizadas diversas fontes de dados, sendo a maioria do IBGE, como a LSPA, a PIM-PF, a PMC, a PMS, a PNAD Contínua, entre outras.
[2] A atividade de outros serviços compreende os setores de alojamento, alimentação fora da residência, atividades profissionais, educação privada, saúde privada, entre outras.
[3] Segundo mediana das projeções do Boletim Focus do Banco Central em 28 de agosto.










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