Trabalho

Indicadores contrafactuais do mercado de trabalho no 1º trimestre de 2026

1 jul 2026

Controlando efeitos da evolução da educação/demografia, mercado de trabalho apresentaria desempenho mais modesto. Raxa de desemprego seria mais elevada que dado oficial. Já taxa de participação, nível de ocupação e renda seriam inferiores.

1. Introdução

Nos últimos anos a taxa de desemprego tem caído de forma consistente no Brasil. Conjuntamente com a queda da taxa de desemprego, tem ocorrido um aumento no número de pessoas ocupadas e elevação da remuneração média do trabalho.

Parte dessa melhora decorre de mudanças estruturais observadas nos últimos anos. Entre elas, destacam-se tanto a melhoria da composição educacional da população, observada a partir do aumento da participação relativa de indivíduos com maior nível de escolaridade, quanto o processo de envelhecimento populacional.

Neste contexto, o objetivo desta nota é avaliar os efeitos da melhora educacional e da transição demográfica sobre variáveis importantes do mercado de trabalho, como a taxa de desemprego, a taxa de participação, o nível de ocupação e o rendimento do trabalho.

Para tanto, iremos estimar como estariam estas variáveis caso não tivesse ocorrido uma melhora na composição educacional nem o processo de envelhecimento da população observado ao longo dos últimos anos.

2. Evolução dos Principais Indicadores do Mercado de Trabalho. Dados Efetivos x Contrafactuais[1]

Nesta seção iremos avaliar os efeitos da melhora educacional e da transição demográfica sobre variáveis importantes do mercado de trabalho, como taxa de desemprego, taxa de participação, nível de ocupação e rendimento do trabalho. Para tanto, iremos estimar como estariam estas variáveis caso não tivesse ocorrido uma melhora na composição educacional nem o processo de envelhecimento da população observado ao longo dos últimos anos.[2]

Começaremos a análise pela taxa de desemprego. De acordo com a Figura 1, a trajetória da taxa de desemprego entre 2012 e 2025 registrou oscilações marcantes. Após relativa estabilidade até 2014, o índice passou a subir fortemente, alcançando picos históricos durante a crise econômica 2015-2016 e, sobretudo, durante a pandemia de Covid-19, quando atingiu quase 15% no início de 2021. A partir desse ponto, iniciou-se um movimento de queda gradual, refletindo a recuperação do mercado de trabalho. Em particular, no primeiro trimestre de 2026, o desemprego atingiu 6,1%. Estes resultados apontam para avanços na absorção de mão de obra.

Figura 1: Evolução da Taxa de Desemprego

Fonte: Elaboração própria com dados da Pnad Contínua.

Caso não tivesse ocorrido essas mudanças estruturais, o nível atual da taxa de desemprego deveria ser maior do que o oficialmente divulgado. Por exemplo, no primeiro trimestre de 2026, a taxa de desemprego contrafactual com base na interação entre escolaridade e idade seria de 7,4%, ou seja, 1,3 ponto percentual acima do valor oficialmente divulgado. Isto indica que parte do baixo desemprego observado hoje no brasil tem relação com uma mudança estrutural ocorrida ao longo dos últimos anos.

Outra importante variável a ser analisada é a taxa de participação, presente na Figura 2. Os dados mostram que entre o primeiro trimestre de 2012 e o quarto trimestre de 2019 a taxa de participação passou de 62,3% para 63,4%. No auge da crise sanitária, no segundo trimestre de 2020, a taxa de participação caiu para 57,1%, o menor nível da série histórica.

Com a recuperação da atividade econômica, após a reabertura da economia, a taxa de participação voltou a apresentar forte crescimento, dando sinais de que retornaria ao nível pré-pandemia. No entanto, isso acabou não ocorrendo, tendo em vista que sua recuperação foi interrompida com a redução observada entre o terceiro trimestre de 2022 e o primeiro trimestre de 2023.

Figura 2: Evolução da Taxa de Participação

Fonte: Elaboração própria com dados da Pnad Contínua.

Mesmo tendo voltado a crescer desde o início de 2023, no primeiro trimestre de 2026 a taxa de participação estava em torno de 62,0%, abaixo do patamar pré-pandemia (quarto trimestre de 2019), que era de 63,4%.

Este resultado poderia ser ainda pior caso não tivesse havia uma melhora educacional e o envelhecimento da população. A interação entre as duas variáveis analisadas nos revela que na ausência destas mudanças, a taxa de participação (60,8%) seria 1,2 p.p. inferior a taxa observada originalmente.

Uma outra forma de mensurar o desempenho no mercado de trabalho, evitando as oscilações na taxa de desemprego em função de mudanças na taxa de participação, é através da razão entre a população ocupada e a população em idade para trabalhar, o que o IBGE chama de nível de ocupação, tal como exposto na Figura 3.

Acesse o estudo completo no Observatório da Produtividade Regis Bonelli


As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva dos autores, não refletindo necessariamente a opinião institucional da FGV.

 

[1] As séries originais e contrafactuais encontram-se ao final do artigo no Anexo 1

[2] Para mais detalhes sobre a metodologia de construção dos indicadores contrafactuais, acesse: https://ibre.fgv.br/sites/ibre.fgv.br/files/arquivos/u65/nota_metodologo...

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