Laísa Rachter

A informalidade do mercado de trabalho: “Economia GIG” ou precarização do trabalho? (Parte I)

A lenta recuperação da economia brasileira tem sido acompanhada de forma persistente por níveis recordes de trabalhadores informais na economia. A população ocupada, que soma mais de 90 milhões de pessoas, tem quase metade dos seus trabalhadores empregados sem carteira assinada ou como trabalhadores por conta própria sem CNPJ. Segundo os dados da PNAD contínua para setembro de 2019, esse contingente representa 41,8% da população ocupada (mais que 39 milhões de trabalhadores).

O prêmio do rendimento no setor formal

Na seção Em Foco deste mês, comparamos os rendimentos dos trabalhadores formais e informais de diferentes grupos de renda para estimar o prêmio salarial associado ao trabalho formal. Também avaliamos como esse prêmio mudou antes e depois da crise de 2014. Para isso, utilizamos os microdados da PNAD Contínua entre o segundo trimestre de 2019 e o primeiro trimestre de 2014.[1] 

Quem são os desalentados no Brasil?

Entre o segundo trimestre de 2014 e o quarto trimestre de 2016 o Brasil enfrentou um longo período de recessão (11 trimestres) com perda acumulada 8,2% do PIB[1] de acordo com dados do Comitê de Datação de Ciclos Econômico (CODACE).  O mercado de trabalho continuou a se deteriorar mesmo após o fim da recessão, tendo a taxa de desemprego começado a cair moderadamente só a partir do segundo trimestre de 2019.

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