Luana Miranda

É mestre em Economia pela FGV/EPGE com dissertação na área de Macroeconometria. Atualmente, é pesquisadora do IBRE/FGV, com foco em atividade econômica brasileira. Cursa doutorado em Economia na FGV/EPGE.

Alívio das condições financeiras pode ser rapidamente revertido pelo risco fiscal

Ao longo das últimas semanas, os ativos financeiros brasileiros foram favorecidos pelo ambiente externo mais otimista e mais propenso ao risco com a definição do resultado eleitoral nos Estados Unidos, o que se somou ao anúncio de alta eficácia em testes de duas vacinas contra a Covid-19. O Índice de Condições Financeiras (ICF) FGV/IBRE apontou melhora de 32% desde 30 de outubro, como mostra o Gráfico 1.

PIB do 2º trimestre e as atualizações para o cenário prospectivo

O ano de 2020 será lembrado pela pandemia do novo coronavírus, que vem deixando marcas não apenas na esfera sanitária, mas também nas esferas social e econômica. Evidência disso pôde ser vista com a divulgação pelo IBGE dos dados das Contas Nacionais Trimestrais, que apontaram neste segundo trimestre quedas recordes em diversas atividades.

Investimento deve registrar o pior desempenho trimestral em pelo menos 25 anos

A crise atual atinge em cheio a já combalida demanda interna privada nacional. Tanto o consumo das famílias quanto o investimento não haviam ainda recuperado as perdas ocorridas durante a última recessão quando o coronavírus chegou no Brasil. A situação é muito mais crítica quando se trata do cenário para o investimento, que, mesmo antes da pandemia, encontrava-se 23,5% abaixo do nível registrado no início de 2014.

Economia brasileira cairá no 2º trimestre mais que em qualquer período recessivo dos últimos 40 anos

A pandemia deixará cicatrizes nas economias mundo afora que serão mais ou menos profundas a depender, dentre outros aspectos, das condições econômicas e sociais anteriores à crise. Nesse quesito, a economia brasileira possui grande desvantagem. Dos 8,1% de perda acumulada durante a última recessão, que foi uma das mais severas de nossa história, havíamos recuperado apenas 5,3% quando a COVID-19 chegou no Brasil e trouxe recordes de retração nos principais indicadores econômicos do país.

Indústria de transformação: a maior queda da história

Em abril, mês em que a paralisação das unidades produtivas se intensificou, a indústria brasileira medida pela PIM-PF teve o pior desempenho de toda a série histórica. A queda foi de -18,8%[1] para o total da indústria e de -23% para a transformação, marcando assim o pior desempenho do setor desde o início da série histórica.

Novos cenários para a evolução da atividade econômica brasileira em 2020

Na seção Em Foco do Boletim Macro Ibre do mês passado, realizamos uma análise preliminar do impacto da chegada do coronavírus ao Brasil sobre a atividade econômica doméstica. Ressaltamos, contudo, que naquela ocasião os únicos indicadores brasileiros que já captavam o impacto do vírus e o tamanho da incerteza adiante eram as variáveis financeiras de alta frequência.

Análise do impacto da recessão argentina sobre o crescimento brasileiro

Desde meados de 2018, a indústria brasileira enfrenta um ciclo de reversão da tendência positiva iniciada a partir do fim da última recessão. Além das notórias fragilidades estruturais, o setor também enfrentou uma série de choques conjunturais no período recente, como a greve dos caminhoneiros, o início de uma profunda recessão na Argentina, a elevada incerteza política originada pelas eleições presidenciais em 2018, guerra comercial entre EUA e China, o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho e o enfraquecimento do crescimento global.

Condições financeiras favoráveis alicerçam o aquecimento recente da demanda doméstica

Após um início de ano desanimador com a notícia de que o PIB do primeiro trimestre havia retraído 0,2%, especulações a respeito de uma possível recessão técnica começaram a pipocar na mídia. Alguns analistas chegaram a apostar em um crescimento abaixo de 0,8% para este ano, o que seria equivalente a um crescimento inferior a 0,3% por trimestre. A despeito do pessimismo que tomou o mercado no período, mantivemos nosso cenário de crescimento beirando 1,2% neste ano, o qual sustentamos até hoje.

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