As sociedades produzem equilíbrios entre os seus múltiplos agentes sociais, econômicos e políticos com vistas a atender minimamente às expectativas e manter funcionando as formas de cooperação essenciais à vida em complexas coletividades. Esses equilíbrios, porém, costumam ser instáveis, pois são mutáveis não só os acordos entre os diversos atores, mas também as próprias expectativas que os alimentam.
É quase lugar-comum dizer que a situação fiscal brasileira no final de 2020 e início de 2021 é crítica. Basta comparar as projeções do FGV IBRE para indicadores fiscais em 2020 com os resultados de 2019. O déficit primário do governo central e do setor público consolidado devem saltar de, respectivamente, 1,2% e 0,9% do PIB para 12% e 12,5%.
A pandemia da Covid-19, como tratado nas últimas Cartas do IBRE, provocou mudanças importantes, e provavelmente duradouras, na paisagem política e nas percepções sobre a questão social no Brasil.
Frente ao novo quadro, ficou evidente uma grande lacuna no arcabouço de proteção social: dezenas de milhões de trabalhadores informais cuja renda, consumo e padrão de vida são jogados à sorte das flutuações econômicas.
O Boletim Macro do FGV IBRE divulgado em 20/2/2020, ou seja, há apenas seis meses, sugeria para 2020 crescimento de 2,2% do PIB, tendência de queda da taxa de desemprego – em janeiro, ela estava em 11,2% – e déficit primário do governo central de algo próximo a 1% do PIB no ano fechado. Diante do quadro descrito à época, a dívida bruta encerraria 2020 abaixo de 80% do PIB.
A pandemia levou o Índice de Incerteza da Economia Brasileira (IIE-Br), do FGV IBRE, a registrar seu recorde de alta, atingindo níveis muito acima dos verificados em outras fortes crises desde 2000, quando se inicia a série histórica do indicador.
O mundo inteiro chocou-se com o vídeo de oito minutos no qual o policial branco Derek Chauvin pressionou com o joelho o pescoço do cidadão negro George Floyd, ambos norte-americanos, até que este último morresse, em Minneapolis, a principal cidade do estado de Minnesota. O fato, ocorrido em 25 de maio, levou a uma onda gigantesca de protestos, que se iniciaram nos Estados Unidos, mas acabaram por se estender para os mais diversos países.
Com a eclosão da pandemia da Covid-19, o Brasil e o mundo vivem um problema de gravidade inaudita. Embora não deva se estender por mais de ano, o processo de disseminação do coronavírus traz muito sofrimento e tristeza. Vidas se perdem, famílias são desestruturadas e as condições de empregabilidade pioram brutalmente. Na economia, o impacto é dramático. Segundo as últimas previsões do FMI – que já soam otimistas – a economia global deve recuar 3% em 2020, enquanto o Brasil deve ter queda de 5,3% do PIB.
A pandemia tem exigido da classe política e dos diversos poderes de todos os países um comportamento de aproximação e trabalho conjunto. A atuação alinhada vem se mostrando acertada para amainar as consequências da COVID-19.
No fim de 2019, nem o mais pessimista dos brasileiros imaginava que o ano de 2020 seria tão difícil. Não se tinha nada de extremamente negativo no radar. O ano começou morno. O debate girava em torno de questões relativas ao processo democrático. Reformas econômicas estavam na pauta do dia. O desenrolar da disseminação do novo coronavírus era visto como um problema eminentemente asiático.
O Senado Federal aprovou em 30 de março um benefício social temporário de R$ 600. O objetivo é ajudar trabalhadores informais que perderão renda com a paralisação de diversos tipos de atividade econômica devido à quarentena imposta para reduzir o contágio da Covid-19.
O IBRE elegeu a produtividade como uma das preocupações centrais de sua missão institucional de contribuir para o debate sobre o desenvolvimento do país. Com esse objetivo, o site Observatório da Produtividade - Regis Bonelli reúne uma ampla base de dados, estudos e análises sobre a produtividade, com o objetivo de fornecer informações para uma maior compreensão do tema e contribuir para a formulação de políticas públicas que possam aumentar a produtividade e impulsionar o crescimento. Acesse Observatório da Produtividade - Regis Bonelli.
Fábio Giambiagi é obcecado pelos dados. É com essa obsessão e uma bagagem de quase quatro décadas acompanhando temas fiscais que o autor lançou uma radiografia da política fiscal brasileira no livro “Tudo sobre o déficit público” que é uma boa sugestão de leitura para quem deseja aprender sobre a evolução histórica das contas públicas no Brasil e seus desafios. Leia mais aqui.