Octavio Amorim Neto

Doutor em Ciência Política pela Universidade da Califórnia, campus de San Diego (1998); Mestre em Ciência Política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (1991); Graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1987). Professor da EBAPE/FGV

Saudades de São Paulo

O recente conflito entre o governador João Doria e o ministro da Saúde,  General Eduardo Pazuello, em torno da vacina contra a Covid-19 parece ser típico do momento ímpar que o Brasil tem vivido ao longo de 2020. Todavia, a disputa remonta a um fenômeno marcante da história republicana, nomeadamente, os frequentes embates entre o governo central e o maior estado da Federação, São Paulo, cuja principal expressão foi a chamada revolução constitucionalista de 1932.

Bolsonarismo e petismo: quatro combinações hipotéticas para o próximo biênio

O bolsonarismo e o petismo são as duas grandes forças a moldar a política brasileira na atualidade, como bem salientou Carlos Melo em artigo no Estadão[1]. O primeiro por vencer as eleições presidenciais de 2018 sem laços com qualquer agremiação política sólida, desalojando do poder os grandes partidos que haviam governado o Brasil quase que ininterruptamente desde 1985.

Precedentes históricos da mutação de Bolsonaro

O ano de 2020 certamente entrará para a história como um momento único, no Brasil e no mundo. Mas nem tudo que temos vivido é sem precedentes. Ligar “a lanterna na popa”, para utilizar o sugestivo título das memórias de Roberto Campos,[1] pode nos ajudar a estabelecer possíveis rotas de navegação, ainda que precariamente tracejadas, para os próximos dois anos, sobretudo no que toca à situação política do governo Bolsonaro.

A questão militar no pós-Bolsonaro

Para todos aqueles preocupados com a democracia e a defesa nacional, é deprimente verificar que a agenda política brasileira tem sido marcada, nos últimos meses, por um intenso debate em torno da possibilidade de um golpe militar ou de uma extremamente controversa intervenção das Forças Armadas, ao abrigo do Artigo 142 da Carta Magna, nos conflitos entre o Executivo e o Supremo Tribunal Federal.

O orçamento da defesa de 2020: de um desequilíbrio a outro

As contas públicas de 2019 encerraram o ano com um déficit R$ 10,5 bilhões acima do esperado. Porém, em dezembro, foram aportados R$ 7,6 bilhões à EMGEPRON para a construção de quatro corvetas para a Marinha. Havia a expectativa, dentro do próprio governo, de que a estatal receberia aquele valor ao longo dos próximos anos, e não todo de uma vez. Além disso, o presidente Bolsonaro proibiu que o orçamento para o Ministério da Defesa (MD) seja contingenciado em 2020.

As táticas de Lula e o fim da direita envergonhada

No dia 8 de novembro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi solto após 580 dias de prisão na sede da Superintendência da Polícia Federal do Paraná, em Curitiba. A soltura do ex-presidente foi decorrência direta da decisão tomada, no dia anterior, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a qual um réu só pode ser preso após o trânsito em julgado, revogando, portanto, a jurisprudência que, desde 2016, havia possibilitado a prisão logo após a condenação em segunda instância.

A estratégia minoritária de Bolsonaro

Passados quase nove meses desde a posse de Bolsonaro, não há mais dúvida a respeito da estratégia minoritária de governo implementada pelo presidente. São duas suas dimensões fundamentais: a decisão de não formar uma maioria legislativa estável, conquanto não se dispensem maiorias ocasionais e, agora, se tente formar uma base de aliados fiéis; e um modo de comunicação com a população que apela, quase que exclusivamente, a nichos específicos do eleitorado e, enfaticamente, exclui outros.

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