Armando Castelar

Coordenador de Economia Aplicada do FGV IBRE e Professor do IE/UFRJ. Castelar é Ph.D. em Economia pela University of California, Berkeley, mestre em Estatística (IMPA) e Administração de Empresas (COPPEAD), e Engenheiro Eletrônico pelo ITA. É membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República e do Conselho Empresarial de Economia da FIRJAN e escreve colunas mensais para os jornais Valor Econômico e Correio Braziliense. 

Heterogeneidade, volatilidade e incerteza

O jogo e as regras continuam os mesmos, mas as peças começam a se mover em novas direções, provocando a mudança de cenários. Em relação à crise sanitária, o ritmo de vacinação vem se tornando o principal determinante do quanto e de quando as economias vão se recuperar este ano. Enquanto isso, do outro lado do tabuleiro, os governos vêm calibrando os estímulos fiscais e monetários, conforme a atividade aos poucos retorna ao patamar pré-pandemia, ainda que mais vigorosamente em alguns setores do que em outros.

A Nação como resposta?

Há algum tempo me pergunto sobre como faremos para sair da crise. Falo em crise, no singular, mas na verdade são muitas crises. Há a da saúde, a da política, a da falta de saneamento básico e, claro, a econômica: segundo os analistas de mercado, este ano o PIB vai contrair 6,5% [o artigo foi escrito em junho/2020], milhões de trabalhadores ficarão sem emprego e as contas públicas arriscam entrar em trajetória explosiva.

À espera das vacinas

O ano começa com a superposição de variáveis de grande impacto operando em sentidos opostos. De um lado, com efeito contracionista, há a segunda onda da pandemia, que leva vários governos a reinstituirem restrições à atividade econômica e os consumidores a conterem sua demanda por serviços. De outro, há o início do processo de vacinação e a perspectiva de forte expansão nas duas maiores economias do mundo.

A “onda azul” e o Brasil

A  vitória democrata nas duas eleições para o Senado ocorridas esta semana no estado da Georgia era uma possibilidade, mas não era o cenário central de investidores e analistas em geral. É o que se depreende da reação dos mercados financeiros. É mais um fator a tornar tão peculiar a eleição americana de 2020, que só este mês, se espera, chega ao fim.

Progresso nas vacinas contra Covid-19 é sinal positivo, mas desafios domésticos persistem

As últimas semanas foram marcadas por intensa oscilação no humor dos mercados financeiros. No âmbito internacional, contribuíram para esse comportamento o desfecho da eleição nos EUA, a divulgação de resultados promissores nos testes de algumas vacinas contra a Covid-19 e o recrudescimento da pandemia, em especial na Europa.

O risco de insolvência do governo pressiona os mercados

Depois de três meses de forte reação positiva à surpresa de quão intensos foram os estímulos monetários e fiscais dados pelos governos de diferentes países, em especial nos EUA, o mercado de ativos financeiros começou a andar de lado. Isso pode ser visto tanto no mercado acionário americano (SP 500), europeu (STOXX 600) e brasileiro (IBOVESPA), como na taxa de câmbio (DXY e R$ / US$), por exemplo, que há meses oscilam em intervalos estreitos ou, pelo menos, não muito largos.

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